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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Metade dos brasileiros está acima do peso e 15% da população já é obesa

Saúde

Consultor Roberto Kalil e endocrinologista Claudia Cozer tiraram dúvidas.
Rio Branco é a capital com o maior índice, seguida do Rio e de Fortaleza.

Perder de 5% a 10% do peso em 6 meses a 1 ano já traz benefícios aos níveis de pressão, colesterol, frequência cardíaca e do coração em geral. É que, quanto menor a superfície corporal de uma pessoa, menos o músculo cardíaco precisa trabalhar para bombear sangue e menos obstruídas ficam as artérias. Isso diminui as chances de infarto e derrame cerebral, as duas principais causas de mortes no Brasil.
Mais da metade (52%) dos homens e 44% das mulheres no país têm sobrepeso. Ao todo, 15% da população está obesa. Rio Branco é a capital com o maior índice, seguida do Rio de Janeiro e de Fortaleza, enquanto Palmas fica em último no ranking, como a mais saudável.

O Bem Estar desta quinta-feira (12) teve a presença do cardiologista Roberto Kalil, que também é consultor do programa, e da endocrinologista Claudia Cozer, que falaram sobre os riscos da obesidade para o coração e a saúde em geral. Segundo a médica, o ideal é emagrecer gradativamente para não voltar a engordar. Tanto que até 40% dos pacientes bariátricos, que têm uma perda rápida, recuperam o peso total ou parcialmente.

Obesidadexcoração valendo (Foto: Arte/G1)

No estúdio, também participou o advogado Alexandre Berthe, que após uma cirurgia de redução de estômago já perdeu 30 quilos (de 124 para 94 kg) e baixou o índice de massa corporal (IMC) de 39 para 30 e o diâmetro da cintura de 122 para 107 centímetros. Ele contou como essa experiência está mudando a sua vida.

O colesterol total de Alexandre reduziu de 247 mg/dl para 150 mg/dl. O HDL (colesterol bom) era 51 mg/dl e passou para 29 mg/dl. Já o LDL (ruim) era 162 mg/dl e agora está em 102 mg/dl. Os triglicérides dele estavam em 172 mg/dl e, no novo exame, são 96 mg/dl. Kalil disse que o HDL dele ainda está baixo, mas deve subir com a prática de exercícios físicos.

O café da manhã de Alexandre, antes da operação, era apenas meio copo de água. Hoje ele ainda bebe a mesma quantidade de água, mas come 1/3 de pão francês com requeijão light. O almoço dele era baseado em picanha, torresmo, pastel, arroz, pouca cebola e tomate, e refrigerante - ou seja, uma refeição com poucas vitaminas e proteínas e excesso de gordura.
Atualmente, ele come 50 g de purê de mandioquinha, 50 g de arroz, meio filé de frango, um pouco de agrião e meio copo de água. No jantar, o advogado costumava consumir dois pedaços de pizza, queijo e presunto enrolados e um copo de refrigerante. Hoje ingere meio copo de suco de melancia, duas bolachas água e sal e dois queijinhos.

Na série Pensando Leve, a manicure Alexandra Silvério, que pesa 142 quilos, explicou que resolveu tomar uma decisão radical e eliminar pelo menos 30 quilos sem cirurgia após a morte de uma irmã e do namorado. Fábio pesava 225 quilos e esperou meses pela autorização do plano de saúde para colocar um balão gástrico que o ajudaria a emagrecer, mas não resistiu antes de isso acontecer. Agora, para Alexandra, perder peso é uma questão de sobrevivência.

A manicure passa muito tempo sentada e não gasta a energia que adquire por meio de uma alimentação desequilibrada, com muitos doces, e do sedentarismo. E a obesidade se repete na família: a irmã Adriana morreu aos 29 anos, um irmão têm excesso de peso e outra irmã fez redução de estômago.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

OBESIDADE

Saúde - Obesidade


Excesso de peso corporal, aumento do peso corporal; aumento de gordura, gordura.



O que é?
 


Denomina-se obesidade uma enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, associada a problemas de saúde, ou seja, que traz prejuízos à saúde do indivíduo.


Como se desenvolve ou se adquire?


Nas diversas etapas do seu desenvolvimento, o organismo humano é o resultado de diferentes interações entre o seu patrimônio genético (herdado de seus pais e familiares), o ambiente sócioeconômico, cultural e educativo e o seu ambiente individual e familiar. Assim, uma determinada pessoa apresenta diversas características peculiares que a distinguem, especialmente em sua saúde e nutrição.


A obesidade é o resultado de diversas dessas interações, nas quais chamam a atenção os aspectos genéticos, ambientais e comportamentais. Assim, filhos com ambos os pais obesos apresentam alto risco de obesidade, bem como determinadas mudanças sociais estimulam o aumento de peso em todo um grupo de pessoas. Recentemente, vem se acrescentando uma série de conhecimentos científicos referentes aos diversos mecanismos pelos quais se ganha peso, demonstrando cada vez mais que essa situação se associa, na maioria das vezes, com diversos fatores.


Independente da importância dessas diversas causas, o ganho de peso está sempre associado a um aumento da ingesta alimentar e a uma redução do gasto energético correspondente a essa ingesta. O aumento da ingesta pode ser decorrente da quantidade de alimentos ingeridos ou de modificações de sua qualidade, resultando numa ingesta calórica total aumentada. O gasto energético, por sua vez, pode estar associado a características genéticas ou ser dependente de uma série de fatores clínicos e endócrinos, incluindo doenças nas quais a obesidade é decorrente de distúrbios hormonais.


O que se sente?


O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos. Independente da severidade, o paciente apresenta importantes limitações estéticas, acentuadas pelo padrão atual de beleza, que exige um peso corporal até menor do que o aceitável como normal.


Pacientes obesos apresentam limitações de movimento, tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam sua coluna e membros inferiores, apresentando a longo prazo degenerações (artroses) de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela.


A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios que podem ser:

 
Doenças                                                                     Distúrbios

Hipertensão arterial                                                 Distúrbios lipídicos

Doenças cardiovasculares                                      Hipercolesterolemia

Doenças cérebro-vasculares                          Diminuição de HDL ("colesterol bom")

Diabetes Mellitus tipo II                                             Aumento da insulina

Câncer                                                                      Intolerância à glicose

Osteoartrite                                                    Distúrbios menstruais/Infertilidade

Coledocolitíase                                                              Apnéia do sono


Assim, pacientes obesos apresentam severo risco para uma série de doenças e distúrbios, o que faz com que tenham uma diminuição muito importante da sua expectativa de vida, principalmente quando são portadores de obesidade mórbida (ver a seguir).


Como o médico faz o diagnóstico?


A forma mais amplamente recomendada para avaliação do peso corporal em adultos é o IMC (índice de massa corporal), recomendado inclusive pela Organização Mundial da Saúde. Esse índice é calculado dividindo-se o peso do paciente em kilogramas (Kg) pela sua altura em metros elevada ao quadrado (quadrado de sua altura) (ver ítem Avaliação Corporal, nesse site). O valor assim obtido estabelece o diagnóstico da obesidade e caracteriza também os riscos associados conforme apresentado a seguir:


IMC ( kg/m2)                      Grau de Risco                        Tipo de obesidade  



18 a 24,9                              Peso saudável                               Ausente

25 a 29,9                          Moderado Sobrepeso                  ( Pré-Obesidade )


30 a 34,9                                      Alto                                  Obesidade Grau I


35 a 39,9                                  Muito Alto                           Obesidade Grau II


40 ou mais                   Extremo Obesidade Grau III              ("Mórbida")


Conforme pode ser observado, o peso normal, no indivíduo adulto, com mais de 20 anos de idade, varia conforme sua altura, o que faz com que possamos também estabelecer os limites inferiores e superiores de peso corporal para as diversas alturas conforme a seguinte tabela :





Altura (cm)                      Peso Inferior (kg)                           Peso Superior (kg)



145                                             38                                                       52


150                                            41                                                        56


155                                            44                                                        60


160                                            47                                                        64


165                                            50                                                        68


170                                            53                                                        72


175                                            56                                                        77


180                                            59                                                        81


185                                            62                                                        85


190                                            65                                                        91


A obesidade apresenta ainda algumas características que são importantes para a repercussão de seus riscos, dependendo do segmento corporal no qual há predominância da deposição gordurosa, sendo classificada em:



Obesidade Difusa ou Generalizada


Obesidade Andróide ou Troncular (ou Centrípeta), na qual o paciente apresenta uma forma corporal tendendo a maçã. Está associada com maior deposição de gordura visceral e se relaciona intensamente com alto risco de doenças metabólicas e cardiovasculares (Síndrome Plurimetabólica)


Obesidade Ginecóide, na qual a deposição de gordura predomina ao nível do quadril, fazendo com que o paciente apresente uma forma corporal semelhante a uma pêra. Está associada a um risco maior de artrose e varizes.


Essa classificação, por definir alguns riscos, é muito importante e por esse motivo fez com que se criasse um índice denominado Relação Cintura-Quadril, que é obtido pela divisão da circunferência da cintura abdominal pela circunferência do quadril do paciente. De uma forma geral se aceita que existem riscos metabólicos quando a Relação Cintura-Quadril seja maior do que 0,9 no homem e 0,8 na mulher. A simples medida da circunferência abdominal também já é considerado um indicador do risco de complicações da obesidade, sendo definida de acordo com o sexo do paciente:



Risco Aumentado                                    Risco Muito Aumentado



Homem 94 cm                                                        102 cm

Mulher 80 cm                                                          88 cm


A gordura corporal pode ser estimada também a partir da medida de pregas cutâneas, principalmente ao nível do cotovelo, ou a partir de equipamentos como a Bioimpedância, a Tomografia Computadorizada, o Ultrassom e a Ressonância Magnética. Essas técnicas são úteis apenas em alguns casos, nos quais se pretende determinar com mais detalhe a constituição corporal.



Na criança e no adolescente, os critérios diagnósticos dependem da comparação do peso do paciente com curvas padronizadas, em que estão expressos os valores normais de peso e altura para a idade exata do paciente.


De acordo com suas causas, a obesidade pode ainda ser classificada conforme a tabela a seguir.


Classificação da Obesidade de Acordo com suas Causas:


Obesidade por Distúrbio Nutricional


Dietas ricas em gorduras


Dietas de lancherias


Obesidade por Inatividade Física
Sedentarismo
Incapacidade obrigatória
Idade avançada


Obesidade Secundária a Alterações Endócrinas


Síndromes hipotalâmicas
Síndrome de Cushing
Hipotireoidismo
Ovários Policísticos
Pseudohipaparatireoidismo
Hipogonadismo


Déficit de hormônio de crescimento


Aumento de insulina e tumores pancreáticos produtores de insulina
Obesidades Secundárias
Sedentarismo
Drogas: psicotrópicos, corticóides, antidepressivos tricíclicos, lítio, fenotiazinas, ciproheptadina, medroxiprogesterona
Cirurgia hipotalâmica
Obesidades de Causa Genética
Autossômica recessiva
Ligada ao cromossomo X
Cromossômicas (Prader-Willi)
Síndrome de Lawrence-Moon-Biedl


Cabe salientar ainda que a avaliação médica do paciente obeso deve incluir uma história e um exame clínico detalhados e, de acordo com essa avaliação, o médico irá investigar ou não as diversas causas do distúrbio. Assim, serão necessários exames específicos para cada uma das situações. Se o paciente apresentar "apenas" obesidade, o médico deverá proceder a uma avaliação laboratorial mínima, incluindo hemograma, creatinina, glicemia de jejum, ácido úrico, colesterol total e HDL, triglicerídeos e exame comum de urina.



Na eventual presença de hipertensão arterial ou suspeita de doença cardiovascular associada, poderão ser realizados também exames específicos (Rx de tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico) que serão úteis principalmente pela perspectiva futura de recomendação de exercício para o paciente.



A partir dessa abordagem inicial, poderá ser identificada também uma situação na qual o excesso de peso apresenta importante componente comportamental, podendo ser necessária a avaliação e o tratamento psiquiátrico.



A partir das diversas considerações acima apresentadas, julgamos importante salientar que um paciente obeso, antes de iniciar qualquer medida de tratamento, deve realizar uma consulta médica no sentido de esclarecer todos os detalhes referentes ao seu diagnóstico e as diversas repercussões do seu distúrbio.



Como se trata?



O tratamento da obesidade envolve necessariamente a reeducação alimentar, o aumento da atividade física e, eventualmente, o uso de algumas medicações auxiliares. Dependendo da situação de cada paciente, pode estar indicado o tratamento comportamental envolvendo o psiquiatra. Nos casos de obesidade secundária a outras doenças, o tratamento deve inicialmente ser dirigido para a causa do distúrbio.



Reeducação Alimentar

 
Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, reduziremos a ingesta calórica total e o ganho calórico decorrente. Esse procedimento pode necessitar de suporte emocional ou social, através de tratamentos específicos (psicoterapia individual, em grupo ou familiar). Nessa situação, são amplamente conhecidos grupos de reforço emocional que auxiliam as pessoas na perda de peso.



Independente desse suporte, porém, a orientação dietética é fundamental.



Dentre as diversas formas de orientação dietética, a mais aceita cientificamente é a dieta hipocalórica balanceada, na qual o paciente receberá uma dieta calculada com quantidades calóricas dependentes de sua atividade física, sendo os alimentos distribuídos em 5 a 6 refeições por dia, com aproximadamente 50 a 60% de carboidratos, 25 a 30% de gorduras e 15 a 20% de proteínas.



Não são recomendadas dietas muito restritas (com menos de 800 calorias, por exemplo), uma vez que essas apresentam riscos metabólicos graves, como alterações metabólicas, acidose e arritmias cardíacas.


Dietas somente com alguns alimentos (dieta do abacaxi, por exemplo) ou somente com líquidos (dieta da água) também não são recomendadas, por apresentarem vários problemas. Dietas com excesso de gordura e proteína também são bastante discutíveis, uma vez que pioram as alterações de gordura do paciente além de aumentarem a deposição de gordura no fígado e outros órgãos.




Exercício


É importante considerar que atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos esqueléticos que resulta em gasto energético e que exercício é uma atividade física planejada e estruturada com o propósito de melhorar ou manter o condicionamento físico.



O exercício apresenta uma série de benefícios para o paciente obeso, melhorando o rendimento do tratamento com dieta. Entre os diversos efeitos se incluem:

 
a diminuição do apetite,


o aumento da ação da insulina,


a melhora do perfil de gorduras,


a melhora da sensação de bem-estar e auto-estima.


O paciente deve ser orientado a realizar exercícios regulares, pelo menos de 30 a 40 minutos, ao menos 4 vezes por semana, inicialmente leves e a seguir moderados. Esta atividade, em algumas situações, pode requerer profissional e ambiente especializado, sendo que, na maioria das vezes, a simples recomendação de caminhadas rotineiras já provoca grandes benefícios, estando incluída no que se denomina "mudança do estilo de vida" do paciente.


Drogas


A utilização de medicamentos como auxiliares no tratamento do paciente obeso deve ser realizada com cuidado, não sendo em geral o aspecto mais importante das medidas empregadas. Devem ser preferidos também medicamentos de marca comercial conhecida. Cada medicamento específico, dependendo de sua composição farmacológica, apresenta diversos efeitos colaterais, alguns deles bastante graves como arritmias cardíacas, surtos psicóticos e dependência química. Por essa razão devem ser utilizados apenas em situações especiais de acordo com o julgamento criterioso do médico assistente.



No que se refere ao tratamento medicamentoso da obesidade, é importante salientar que o uso de uma série de substâncias não apresenta respaldo científico. Entre elas se incluem os diuréticos, os laxantes, os estimulantes, os sedativos e uma série de outros produtos freqüentemente recomendados como "fórmulas para emagrecimento". Essa estratégia, além de perigosa, não traz benefícios a longo prazo, fazendo com que o paciente retorne ao peso anterior ou até ganhe mais peso do que o seu inicial.




Como se previne?



Uma dieta saudável deve ser sempre incentivada já na infância, evitando-se que crianças apresentem peso acima do normal. A dieta deve estar incluída em princípios gerais de vida saudável, na qual se incluem a atividade física, o lazer, os relacionamentos afetivos adequados e uma estrutura familiar organizada. No paciente que apresentava obesidade e obteve sucesso na perda de peso, o tratamento de manutenção deve incluir a permanência da atividade física e de uma alimentação saudável a longo prazo. Esses aspectos somente serão alcançados se estiverem acompanhados de uma mudança geral no estilo de vida do paciente.