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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Único hospital municipal de Natal fecha portas e não admite pacientes

Saúde - Natal,RN

Hospital dos Pescadores, nas Rocas, enfreta problemas de infraestrutura.
Dos 32 leitos de internação, somente quatro estão em funcionamento.


O caos na Saúde Pública do Rio Grande do Norte vai além dos hospitais estaduais. Em Natal, o único hospital municipal deixou de admitir pacientes em situação de urgência ou emergência desde esta quarta-feira (12) e está transferindo ou dando alta aos pacientes internados. Além da falta de médicos, em decorrência da suspensão dos serviços dos profissionais ligados à Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed), o hospital não oferece infraestrutura básica para atendimento. Faltam desde medicamentos básicos a equipamentos de ressuscitação de infartados, por exemplo.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que a titular da pasta, Maria do Perpétuo Socorro Nogueira, irá se reunir com representantes da categoria na noite desta quinta-feira (13) para tentar sanar o problema. A Coopmed realizará assembleia para decidir se retorna ou não ao trabalho também na noite desta quinta.
Além dos médicos cooperados, a Cooperativa dos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte também decidiu paralisar as atividades nas unidades municipais de saúde. Eles cobram o pagamento de dívidas acumuladas no valor de R$ 3,4 milhões.

Na manhã desta quinta, a chefe do Setor de Fiscalização do Conselho Municipal de Saúde, Silvana Barros, visitou o Hospital dos Pescadores para constatar como o atendimento estava ocorrendo. "Recebemos uma denúncia de que estava faltando médicos e os pacientes estavam recebendo alta sem critério de avaliação", comentou. Entretanto, o diretor médico da unidade, Marcos Pinheiro, confirmou que os pacientes estavam recebendo alta ou sendo transferidos, mas somente após avaliação. "Estamos tendo todo cuidado antes de dar alta ou transferir qualquer paciente", ressaltou Pinheiro.

Apesar da afirmação do diretor médico, os familiares da aposentada Maria Galvão, de 83 anos, disseram que a senhora recebeu alta sem nenhum critério médico. "Ela sofreu uma queda e fraturou um osso na região da bacia. Ela passou 20 dias internada à espera de cirurgia que não foi feita. Hoje, o médico deu alta e mandou para casa onde deverá esperar pela cirurgia", afirmou José Lindemberg, filho de Maria Galvão. O diretor médico Marcos Pinheiro rebateu a informação alegando que a paciente havia sido avaliada e o melhor seria esperar em casa. Visto que, não há previsão para a marcação da cirurgia ortopédica eletiva.

Um outro paciente, em estado grave e precisando ser transferido para um hospital que realize um procedimento cirúrgico chamado gastrostomia, que consiste na abertura de um orifício no estômago para passagem de alimentos, aguarda definição da direção do Hospital dos Pescadores.
A paralisação dos profissionais ligados à Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte, que reclamam do Município o pagamento de uma dívida estimada em R$ 6,4 milhões, refletiu ainda mais na superlotação das unidades estaduais de Saúde, cujo estado de calamidade pública foi decretado pela governadora Rosalba Ciarlini em 4 de julho passado.

A saúde pública de Natal vive um momento de extremos. Enquanto somente quatro dos 32 leitos disponíveis no Hospital dos Pescadores estão sendo utilizados, cerca de 100 pacientes superlotavam os corredores do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho na manhã desta terça-feira (13). Uma das enfermarias do Hospital dos Pescadores foi interditada pela Vigilância Sanitária por não dispor de banheiros.

A sala de reanimação da unidade também foi desativada por falta de equipamentos indispensáveis à reanimação de pacientes, como o monitor cardíaco. Enquanto macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ficam retidas nos corredores do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, outras ficam abandonadas num dos corredores do hospital municipal. A sala de reanimação da unidade estava sendo usada como Unidade de Terapia Intensiva (UTI) improvisada, enquanto deveria apenas estabilizar pacientes em estado grave.
"Como se vê, o problema não se resume à paralisação do atendimento médico. Vai muito além. É um problema estrutural. É um descaso com a saúde municipal", afirmou Silvana Barros. Em relação ao atendimento dos quatro pacientes ainda internados na unidade, a Coopmed reduziu a escala dos médicos plantonistas de três para um médico. "Não há escala para o pronto-socorro e somente os pacientes já internados estão sendo atendidos. Só há um médico para atender as intercorrências", confirmou Marcos Pinheiro.

O diretor médico lamentou a atual situação da saúde pública no estado e desabafou. "Os médicos acabam sendo os heróis e os vilões dessa história. A gente consegue, com o mínimo, fazer muito. Mas quando não conseguimos, por motivos diversos, não se reconhece que a culpa é da infraestrutura oferecida", destacou Marcos Pinheiro.

Desabastecimento generalizado
As unidades municipais de saúde enfrentam um desabastecimento generalizado. Enquanto a equipe de reportagem do G1 entrevistava os gestores do Hospital dos Pescadores, um dos diretores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara, na Zona Norte de Natal, entrou em contato com o Marcos Pinheiro para solicitar a transferência de cápsulas de dipirona. O médico relatou que os forcedores encareceram o preço do produto em 100% nos últimos dias como forma de 'aproveitamento' da situação caótica na Saúde.

No próprio Hospital dos Pescadores, a representante do Conselho Municipal de Saúde, Silvana Barros, confirmou que somente 30% de todos os pedidos encaminhados à Secretaria Municipal de Saúde eram atendidos.
Em recente fiscalização nos Centros de Apoio Psicossocial do Município, Silvana constatou a falta de insumos e medicamentos indispensáveis ao tratamento dos viciados em drogas e pessoas com distúrbios mentais. "Falta desde o antipsicótico mais simples aos medicamentos mais fortes", relatou Silvana.

Pronto-Socorro Infantil Sandra-Celeste irá fechar sábado (15)
A partir de sábado, dia 15 de setembro, o atendimento no Pronto-Socorro Infantil Sandra Celeste, única unidade municipal de Saúde voltada ao público infantil, será suspenso por falta de médicos.
Com mais da metade dos profissionais pediatras conveniados à Coopmed, as escalas de plantão não puderam ser fechadas pela direção da unidade.
"A escala de plantão precisou ser 'achatada' para garantir o atendimento. Entretanto, a partir de sábado, não terá mais atendimento na urgência, apenas nas consultas marcadas", confirmou o diretor da Sociedade de Pediatria do RN e servidor do Sandra Celeste, Nivaldo Sereno Júnior.
Dos quase 40 pediatras que atuam no Pronto-Socorro Infantil, somente os 14 servidores do Município estão cumprindo escala. "As crianças serão encaminhadas para os Hospitais Maria Alice Fernandes e Walfredo Gurgel, infelizmente. Nós estamos numa guerra sem solução nenhuma", lamentou Nivaldo Júnior.

A diretora da unidade, Telma Lúcia de Araújo, disse que o funcionamento do Pronto-Socorro está sendo feito de forma parcial graças aos 14 pediatras concursados. "Nós fizemos o possível e o impossível, mas chegamos ao limite. Eu não sei nem o que dizer", enfatizou Telma Lúcia.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Médicos suspendem atendimento em 12 unidades de saúde de Natal

Saúde - Natal,RN

Prefeitura deve R$ 6,4 milhões à Cooperativa Médica (Coopmed).
Suspensão atinge atendimentos clínicos e intervenções de complexidade.

A Cooperativa Médica do Rio Grande do Nortex (Coopmed) decidiu, a partir desta quarta-feira (12), suspender os atendimentos nas unidades de saúde mantidas pela Prefeitura de Natal. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não quitou os pagamentos dos serviços prestados por aproximadamente 550 médicos cooperados nos meses de maio, junho e julho. O débito acumulado gira em torno de R$ 6,4 milhões. A suspensão atinge 12 unidades municipais que oferecem atendimentos que vão desde clínica médica à média e alta complexidade, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e hospitais privados contratados.

"A Secretaria Municipal de Saúde foi avisada há um mês de que iríamos suspender o atendimento caso o débito não fosse quitado. Esperamos quatro meses e a Prefeitura não regularizou a situação", esclareceu o presidente da Coopmed, Fernando Pinto. Há uma semana, desde que a Coopmed confirmou a paralisação para esta terça-feira, o G1 encaminhou um e-mail para o assessor de comunicação da Prefeitura de Natal, Gerson de Castro, e também para a assessora de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, Rudilene Meira.

O objetivo era esclarecer como a Prefeitura de Natal quitaria os débitos para que o atendimento à população não fosse interrompido. Entretanto, nenhum dos assessores respondeu as mensagens. Ao longo desta semana e, inclusive, no início desta manhã, a secretária municipal de Saúde, Maria do Perpétuo Socorro Nogueira Lima, também foi procurada. Ela, porém, não atendeu ou retornou as ligações. Assim como sua secretária de imprensa, Rudilene Meira. Já o secretário municipal de Comunicação, Gerson de Castro, recomendou que "Maria do Perpétuo Socorro fosse procurada diretamente".

"Nestes 30 dias, nós não conseguimos nos reunir com a prefeita Micarla de Sousa. Somente ontem (11) a secretária municipal de Saúde nos encaminhou um documento dizendo que iria providenciar o pagamento do mês de maio e programar, até o próximo mês, o pagamento dos outros meses", comentou Fernando Pinto. Ele ressaltou, porém, que a Coopmed acumula dívidas e precisa receber o pagamento integralmente.

  Fernando Pinto não descartou a possibilidade de colapso na saúde municipal. Visto que, em torno de 1.500 escalas de plantão são preenchidas pelos médicos cooperados em aproximadamente 20 especialidades. Ele destacou que o atendimento pediátrico será o mais afetado com esta suspensão e hospitais e maternidades como o Santa Catarina, na Zona Norte, e a Januário Cicco, em Petrópolis, na Zona Sul da cidade, ficaram ainda mais cheios.
"Se a Prefeitura não quitar os débitos e regularizar a situação da Coopmed haverá um colapso na Pediatria", alertou o presidente da cooperativa. Ele reiterou, contudo, que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos inicialmente.

Em unidades como o Pronto-Socorro Infantil Sandra Celeste, na Zona Sul de Natal, a Coopmed responde por 60% dos médicos plantonistas. Mensalmente, são realizados cerca de sete mil atendimentos pediátricos nesta unidade. O Sandra Celeste acabou se tornando a única unidade básica de saúde pediátrica municipal com a paralisação deste tipo de serviço na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Pajuçara, na Zona Norte.

Neste primeiro dia de suspensão, as especialidades mais afetadas são: clínica médica, ginecologia e obstetrícia, pediatria, psiquiatria e médicos socorristas e intensivistas do Samu Natal.

Unidades Atingidas

A suspensão do atendimento nas unidades municipais de saúde atinge desde simples atendimentos de clínica médica até procedimentos de alta complexidade em hospitais de grande porte. Veja abaixo, conforme informações repassadas pelo presidente da Coopmed, Fernando Pinto, quais unidades e tipos de serviços serão afetados.

SUSPENSÃO DO ATENDIMENTO NAS UNIDADES MUNICIPAIS DE SAÚDE
UNIDADE DE SAÚDEPERFIL
Hospital dos PescadoresUrgência e Emergência
Maternidade Prof. Leide MoraisMaternidade de Baixa Complexidade
Maternidade das QuintasMaternidade de Baixa Complexidade
Maternidade das QuintasMaternidade de Baixa Complexidade
Maternidade de Felipe CamarãoMaternidade de Baixa Complexidade
Pronto-Socorro Infantil Sandra CelestePronto-Socorro Pediátrico
Samu NatalSocorro Médico via Ambulância
CapsCentro de Apoio Psicossocial para dependentes químicos
Unidade de Saúde de Cidade SatéliteUnidade Básica
Unidade de Saúde de Mãe LuizaUnidade Básica
Unidade de Saúde de Cidade da EsperançaUnidade Básica
Unidade de Saúde do KM - 6Unidade Básica
ATENDIMENTO DE ALTA E MÉDIA COMPLEXIDADE

UNIDADE DE SAÚDE
UTI Neonatal e AdultoHospital da Polícia Militar
Tratamento contra o câncerLiga Norte-Riograndense Contra o Câncer
Urgência PediátricaHospital Infantil Varela Santiago
OrtopediaHospital Memorial
OrtopediaHospital Médico Cirúrgico
OrtopediaPronto-Clínica Dr. Paulo Gurgel
Urgência CardiológicaHospital do Coração
Urgências DiversasNatal Hospital Center

terça-feira, 3 de julho de 2012

Hospitais universitários suspendem atendimento

Saúde - RN

A greve dos servidores técnicos das universidades federais deixou de ser apenas um problema administrativo das academias e passou a atingir, além dos universitários, os pacientes dos hospitais mantidos pelas instituições de ensino federais. Em nível estadual, quatro instituições de Saúde mantidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Maternidade Escola Januário Cicco, Hospitais Universitários Onofre Lopes, em Natal, e Ana Bezerra, em Santa Cruz, além do Hospital de Pediatria (Hosped) - tiveram de reduzir o atendimento com a intensificação do movimento grevista desde o final de semana passado. Consultas médicas e cirurgias eletivas foram suspensas e somente os procedimentos de alto risco e de urgência e emergência estão garantidos.
Alberto LeandroCom a greve dos sevidores, taxa de ocupação de leitos e atendimento ambulatorial caiu no HuolCom a greve dos sevidores, taxa de ocupação de leitos e atendimento ambulatorial caiu no Huol

A paralisação atinge, também, a realização de exames clínicos para pacientes em primeira consulta. Somente aqueles que já se encontram internados em hospitais universitários ou casos referenciados por outros complexos hospitalares, como o Walfredo Gurgel, por exemplo, serão procedidos. "Estamos selecionando as cirurgias que são de maior complexidade para serem realizadas. Os atendimentos de urgência e emergência referenciados por outras unidades não serão suspensos. As cirurgias e consultas eletivas, porém, serão reprogramadas", afirmou a coordenadora do Serviço Hospitalar de Internação e Cirurgia do Hospital Onofre Lopes, Mônica Matias.

Desde que a greve dos servidores técnicos administrativos da UFRN foi deflagrada, em 11 de junho, a taxa de ocupação dos 155 leitos de enfermaria e clínica médica do Hospital Onofre Lopes, reduziu de 93%, no início da paralisação, para 76% na manhã de ontem. Entretanto, os atendimentos aos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), doentes crônicos de nefrologia, pós-transplantados, pós-operados e os que dependem de tratamento para doenças autoimunes, não sofrerão interrupção de atendimento.

Os funcionários públicos federais que aderiram ao movimento grevista localmente fazem parte do quadro técnico de nível médio e superior dos hospitais e atuam nas áreas de assistência administrativa, enfermagem, nutrição, fisioterapia e, inclui, também, alguns médicos. Os professores que atuam como perceptores junto aos residentes de Medicina não aderiram à greve.

Por mês, são realizadas, em média, 287 cirurgias eletivas no Hospital Universitário Onofre Lopes. Dentre as cirurgias e atendimentos que não foram interrompidos, estão os da área de neurocirurgia, tumores e alta complexidade. Os casos emergenciais serão priorizados e o Hospital não pode parar suas atividades integralmente por duas razões: o repasse de recursos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é feito de acordo com a "produção" de cada unidade hospitalar e o atendimento aos pacientes internados, referenciados ou em estado de saúde crítico não pode ser interrompido.

Na clínica médica, os pacientes com complicações ocasionadas pelo seu estado de saúde por serem portadores de doenças crônicas ou degenerativas, por exemplo, terão atendimento priorizado. Sobre a remarcação das consultas e cirurgias eletivas, Mônica Matias afirmou que ainda não há previsão. Tudo depende do fim do movimento grevista. "Ainda não sabemos como será a escala de remarcação das cirurgias ao final da greve", comentou. Em dias comuns, até 16 pacientes são internados para procedimentos cirúrgicos de vesícula, neurocirurgia, urologia e hérnias.

Greve também afeta Hosped e maternidade

A direção do Hospital de Pediatria (Hosped) garantiu que o atendimento na unidade que é referência em atendimento infantil será mantido em 50%. "Metade dos nossos leitos (no total são 20) estão ativos com relação a internação regular", afirmou a diretora Jozana do Rosário de Moura Caetano. As cirurgias de fissuras labiopalatais (lábio leporino) e os exames de endoscopia não serão interrompidos, devido ao elevado índice de demanda reprimida. Além disso, o Hosped é a única unidade médica no estado que realiza tais procedimentos em crianças.

No ambulatório, porém, o atendimento será parcial. As consultas foram reduzidas, mas o atendimento aos pacientes em retorno está garantido. "As marcações de primeiras consultas, porém, ocorrerão somente ao final do movimento grevista", informou a diretora Jozana do Rosário. O Hosped é um dos únicos hospitais infantis no estado que dispõe de todas as especialidades clínicas voltadas ao público infantil. A paralisação dos servidores técnicos federais atingiu quase 70% do quadro funcional da unidade.

Entretanto, o funcionamento do Hospital Dia não sofrerá alteração. De acordo com Jozana do Rosário, as crianças que recorrem ao Hospital Dia são pacientes em estado crônico, com pneumonia, doenças reumatológicas ou que necessitam receber enzimas. Elas chegam ao local pela manhã e saem no final da tarde, após terem recebido medicação. Este atendimento, porém, está restrito às crianças em tratamento e àquelas que foram ou que virão a ser referenciadas por outros hospitais.

Na Maternidade Escola Januário Cicco, cujo perfil de atendimento é prioritariamente urgência e emergência, os procedimentos foram reduzidos em 50%. Com uma ressalva, porém. O pré-natal de alto risco e as cirurgias consideradas de alta necessidade serão mantidas. "Foi um acordo que fizemos com o Sintest. Mantivemos o atendimento de urgência e emergência. Esperamos que as negociações sejam retomadas o mais rápido possível", comentou o diretor da Maternidade, Kleber Morais.

RN terá recursos extras para cirurgias

O Ministério da Saúde vai repassar R$ 10,2 milhões para governo e prefeituras do Rio Grande do Norte. O dinheiro é destinado a cirurgias ortopédicas, urologia, oftalmologia e otorrinolaringologia, onde há maior demanda no Sistema Único de Saúde (SUS). Deste total, R$ 1,4 milhão vai financiar cirurgias de cataratas nos municípios alta taxa de população em situação de extrema pobreza. A cirurgia de catarata é a mais procurada pelos usuários do SUS.

No Brasil serão R$ 650 milhões. Os recursos fazem parte de uma nova estratégia do Ministério da Saúde para garantir o acesso da população aos procedimentos disponibilizados no SUS. Os estados receberão os recursos, em parcela única, para o período de um ano, e serão aplicados nas especialidades de maior demanda e naquelas escolhidas pelos gestores locais, conforme a realidade de cada região. Além disso, do total, R$ 50 milhões serão destinados aos municípios com 10% ou mais de sua população em situação de extrema pobreza.

O investimento representa um crescimento de 100% se comparado com o valor destinado em 2011, que foi de R$ 350 milhões. Em 2011, foram 345.834 cirurgias eletivas realizadas pelo SUS. "O aumento no repasse de recursos visa estimular a realização de cirurgias. No ano passado, instituímos a política para garantir a antecipação dos recursos aos estados e municípios para que eles pudessem contratar um número maior de serviços para a realização de mutirões", destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Estamos dando um importante passo para reduzir o tempo de espera do paciente. Além disso, estamos inovando ao priorizar os municípios com populações de extrema pobreza, que necessitam de maior atenção por parte do governo'', avalia. Do total de investimento previsto, R$ 600 milhões estão destinados às cirurgias eletivas selecionadas como prioritárias, de acordo com as demandas apresentadas pelos estados. São R$ 180 milhões para realização de cirurgia de catarata e R$ 210 milhões para tratamento de varizes, cirurgias ortopédicas e nas áreas de urologia, oftalmologia e otorrinolaringologia, incluindo retirada de amígdalas. Outros R$ 210 milhões atenderão as demandas apresentadas pelos gestores estaduais, conforme a realidade de suas regiões.

Os R$ 50 milhões restantes são para ampliar o acesso a cirurgias de cataratas nos municípios com população em situação de extrema pobreza. A ação beneficia 2.555 cidades. A nova portaria permitirá aos gestores locais do SUS remunerar de forma diferenciada os seus prestadores para estimular a realização de cirurgias eletivas.

Negociações

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação Superior (Sintest/RN), Vânia Machado, afirmou que o fim da greve depende de um acordo com o Governo Federal. "Já foram realizadas 52 reuniões com o Ministério da Educação e não nos foi apresentada nenhuma proposição que atendesse nosso pleito", comentou a representante do Sintest/RN.

Dentre os interesses dos servidores, estão o aumento do piso salarial que desde 2010 se mantem o mesmo (R$ 1.034). Os servidores defendem que o Governo Federal pague o equivalente a três salários mínimos. Além disso, eles pleiteiam reposicionamento de aposentados e a instituição de uma data base para aumento salarial anual. "Tudo depende do Governo Federal. Por nós, estaríamos trabalhando", afirmou Vânia Machado.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Professores da rede estadual paralisam atividades nesta quinta-feira

Educação - RN

Os professores da rede estadual irão paralisar as atividades durante todo o dia nesta quinta-feira (10). A manifestação terá início às 9h e ocorrerá até às 15h, quando os irão realizar um debate na Assembleia Legislativa. Durante a terça-feira (8), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN) visitou as escolas para mobilizar professores para o movimento.  O protesto, a princípio, não se estenderá e os professores retornarão às aulas na sexta-feira.

Na manifestação, os professores irão exigir melhorias nos planos de carreira e nas condições de trabalho, segundo informou a presidenta do Sinte/RN, Fátima Cardoso.  De acordo com ela,  os professores irão se manifestar pelo  pagamento do plano de carreira dos funcionários e o pagamento de forma integral dos aposentados. A gratificação a diretores das escolas também será lembrada pelo Sindicato durante a paralisação.

Além disso, os professores cobram  o envio de um Projeto de Lei que encontra-se no Governo. "Tem um projeto de Lei sobre a revisão de plano de carreira que está no Governo desde 2010", disse Fátima Cardoso. No tocante à infraestrutura, o sindicato também coloca em pauta a ampliação de algumas escolas estaduais.

Outro ponto citado pela presidenta como motivador da greve é sobre a intenção do Governo de privatizar pontos da Educação e da Saúde. Segundo ela, o Governo do Estado enviou uma proposta à Assembleia Legislativa para privatizar alguns serviços relativos às duas classes. Por esse motivo, a manifestação terá início em frente ao Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (SindSaúde) e depois seguirá para o Sinte. Os servidores da saúde, no entanto, não irão paralisar as atividades.


A presidenta do sindicato, Fátima Cardoso, reclamou também da falta de diálogo por parte da secretária de Educação, Bethânia Ramalho. Segundo ela, a secretária não se manifesta sobre as proposições do Sinte e segue em "silêncio total". "Ela tá reprimindo cada vez mais as nossas demandas. É fundamental esse diálogo com sindicato", lamenta. Segundo Fátima Cardoso, a secretária não se dispõe a se reunir com o sindicato. "Quando a gente consegue se reunir, ela reclama que tem muita pauta pra ser discutida. Infelizmente, as pautas vão acumulando", reclamou.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Professores municipais mantêm greve

Educação - Natal - RN

Cerca de 3,5 mil professores municipais permanecerão em greve até que a Justiça se pronuncie sobre o pedido de ilegalidade da paralisação realizado pela Prefeitura de Natal. A decisão de não finalizar o movimento de reivindicação foi tomado na manhã desta quinta-feira (3) em assembleia da categoria. Na quarta-feira passada, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN) e o Município de Natal não chegaram a um acordo durante a terceira audiência de conciliação. O processo agora passa por vistas do Ministério Público para que, depois, seja tomada uma decisão sobre o caso. De acordo com o Sinte, a previsão é que haja um posicionamento da Justiça durante a próxima semana.
Adriano AbreuA decisão de não finalizar o movimento de reivindicação foi tomado na manhã desta quinta-feira em assembleia da categoriaA decisão de não finalizar o movimento de reivindicação foi tomado na manhã desta quinta-feira em assembleia da categoria

O impasse permanece. Para os servidores, "a Prefeitura é irresponsável e tem tratado o caso com desdém". Para a Prefeitura, os servidores voltaram atrás do que já estava acordado de reajuste e outros sete pontos de pauta e agora não há como conceder nem o que havia sido proposto anteriormente. Em meio às discussões, os alunos da rede pública permanecem fora de sala de aula. O Sindicato promete montar uma campanha para reconstruir a educação na cidade.
A presidenta do Sinte/RN, Fátima Cardoso, declarou que a "Prefeitura está insistindo em argumentos que são falhos e mostra a falta de responsabilidade da administração municipal". Em contato com a reportagem durante a manhã de hoje, o secretário Walter Fonseca, disse que o Sinte "levou muito tempo para decidir sobre a proposta da Prefeitura". "E quando o fez, voltou atrás, pegando todos de surpresa. Hoje, não há mais condições de oferecer o que foi oferecido antes, por uma série de questões como Lei de Responsabilidade Fiscal e a aproximação com o período das eleições", alegou.

Para Fonseca, a solução passa por dois caminhos. "É improvável que haja uma diminuição de gasto com pessoal, o que abriria o espaço necessário na LRF. O outro caminho é o aumento da receita geral, através do aumento de arrecadação. Isso só quem pode analisar são os responsáveis pelo planejamento da Prefeitura", disse.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Médicos do estado entram em greve a partir de domingo

Saúde - RN

Os médicos da rede pública estadual de Saúde decidiram que vao iniciar movimento grevista a partir do domingo (29). Os profissionais cobram melhorias salariais e acusam o Governo do Estado de ainda nao ter apresentado proposta formal para o Sindicato dos Médicos (Sinmed). A partir das 7h do domingo, só serão realizados atendimentos de urgência e emergência.

Em negociação com o Governo do Estado há aproximadamente dois meses, o Sinmed cobra a abertura de diálogo por parte do Executivo para a discussão acerca de benefícios aos profissionais. O pedido inicial dos médicos vai desde o pedido de gratificação por atividade até o reajuste nos vencimentos dos profissionais de acordo com proposta de piso salarial unificado no país, que tramita no Congresso Nacional.

De acordo com o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, os médicos recebiam aproximadamente R$ 3 mil mensais referente à produtividade. Além disso, também há o pagamento dos salários, que são de R$ 4,5 mil para profissionais em início de carreira e podem chegar a até R$ 11 mil, aproximadamente, para os mais antigos. O presidente do Sinmed diz que o benefício referente à produtividade foi praticamente extinto e, por isso, cobra a implantação de uma gratificação por atividade.

Presidente do Sindicato dos Médicos no RN, Geraldo FerreiraPresidente do Sindicato dos Médicos no RN, Geraldo Ferreira
"O Governo, em 2011, praticamente extinguiu o valor pago pela produtividade. Hoje, em média, o profissional recebe algo próximo a R$ 1 mil. Já que estão acabando a produtividadem, defendemos que acabe de uma vez e seja criada a gratificação por atividade, no valor de R$ 3 mil", explicou Geraldo Ferreira.

O sindicalista também argumenta que os valores pagos a profissionais estão diferentes entre a própria categoria. Segundo ele, houve a incorporação de gratificações de alguns profissionais e os que não tinham o benefício estão com o salário inferior aos demais. "Pedimos o mesmo salário para todos os médicos", explicou.

Sobre o reajuste salarial propriamente dito, o Sinmed cobra que o Governo adote o piso nacional dos médicos como base. A proposta do valor, que ainda tramita nas comissões do Congresso, fixa em mais de R$ 19 mil os vencimentos dos médicos no Brasil. Porém, o sindicato potiguar diz que entende a impossibilidade de que o valor seja pago em curto espaço de tempo. O objetivo é atrelar os vencimentos ao piso e discutir uma forma escalonada para que o pagamento seja implementado.

"Dissemos ao Governo que estamos abertos a conversar. Atualmente, há médicos que recebem 55% do piso. Então, queremos negociar para que, por exemplo, em um período de um ano esse percentual passe para 60% do valor do piso nacional, e assim por diante. Estamos querendo o diálogo, mas ainda não tivemos resposta", afirmou.

Geraldo Ferreira disse que as tratativas sobre o acordo salarial estão ocorrendo com o secretário de Saúde do Estado, Domício Arruda. O titular da Sesap, segundo o presidente do Sinmed, disse que fez consulta ao setor financeiro do Governo e que, até o momento, a proposta é de reposição salarial de aproximadamente 7%, referente à inflação, com o valor sendo pago também de forma parcelada e dependendo do limite prudencial. Contudo, não houve, de acordo com Geraldo Ferreira, um comunicado oficial. "Não recebemos nenhuma resposta por escrito", garantiu.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou o contato com o secretário Domício Arruda, mas até o início da noite não teve sucesso.