domingo, 15 de maio de 2011

RN tem deficit de equipes do PSF, embora existam recursos

Saúde - RN


Margareth Grilo - Reporte da Tribuna do Norte



Implantada no Rio Grande do Norte, em 1998, a estratégia de Saúde da Família, que surgiu como PSF (Programa de Saúde da Família), ainda está, por assim dizer, na fase da “adolescência”. Permeada de conflitos e fragilidades. E basta visitar alguns municípios do Estado para perceber que ainda falta muito para que o programa assuma “ares e deveres de adulto”. No RN, os avanços existem, mas sobram deficiências e reclamações. Faltam qualificação e eficiência.


Criado no país em 1994 (na época tiveram quatro projetos piloto no RN – Pilões; Macaíba; Ceará-Mirim e Natal) o programa tem hoje muitos nós críticos, começando pela atração e fixação do médico, sobretudo no interior. “Quanto mais distante da capital, mais difícil é atrair e manter o médico no município”, reconhece a coordenadora da ESF no Estado, Uiacy Alencar, da Secretaria Estadual de Saúde Pública.


Mas esse não é o único problema. Outros nós são: a deficiente formação clínica dos médicos; a baixa autonomia dos enfermeiros; a baixa resolutividade e falta de qualificação das USF, sem falar da decadente estrutura da maioria das Unidades Básicas de Saúde – atualmente mais de 75% dos ESFs funcionam em UBS.


Aliado a isso, tem as dificuldades de acesso aos locais de trabalho e à falta identificação dos profissionais com a estratégia. Todos esses fatores alimentam a elevada rotatividade e instabilidade das equipes; o descompromisso; e fragilizam as regras da estratégia de saúde da família, como, por exemplo, a jornada de trabalho. Durante três dias, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou oito municípios. Na maioria, o tempo real de trabalho é diferente do tempo contratado.


Em torno da ESF se formou um mercado predatório, que promove uma espécie de leilão, oferecendo vantagens financeiras e de redução de jornada de trabalho inferior a 40 horas, contrariando a Portaria 648/2006. Essa barganha, aliada à precarização da relação de trabalho, fragiliza ainda mais a relação do médico com a estratégia de saúde da família.


A estratégia de Saúde da Família chega aos 167 municípios do Rio Grande do Norte. Mas a cobertura não é de 100% da população. A ESF cobre, atualmente, 77,44% da população potiguar. Ou seja, dos 3.137.541 habitantes 2.541.949 estão amparados pelas equipes do programa. Mais de 595 mil habitantes não tem cobertura nem mesmo de um agente de saúde.


Isso por uma razão: oito municípios – exatamente, os mais populosos – inclusive a capital – ainda não conseguiram implantar todas as equipes a que têm direito, e que já estão credenciadas. Juntos, os municípios de Apodi, Currais Novos, Caicó, Parnamirim, Mossoró, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Natal ainda poderiam implantar 224 equipes de Saúde da Família, segundo a informações disponíveis no site do Departamento de Atenção Básica, do Ministério da Saúde (DAB).


Elas estão autorizadas pelo Ministério da Saúde, com verbas garantidas, segundo a técnica que comanda o monitoramento do Saúde da Família no Estado, Uiacy Alencar, da Secretaria Estadual de Saúde Pública. No estado, 159 municípios implantaram 100% das ESFs credenciadas pelo MS, conforme levantamento extraído do DAB em 12/05.


Somente para esses oito municípios o montante de recursos que poderiam ser disponibilizados é da ordem de R$ 1,5 milhão, considerando a média de repasse por equipe, efetuado em março/2011 para cada um desses municípios. “O Ministério autorizou. O dinheiro está lá para ser disponibilizado, basta os municípios se organizarem para implantar”, diz Uiacy Alencar, da Sesap. As equipes, disse ela, foram se expandindo nos municípios sem uma condição adequada, sem que as estruturas fossem sendo ampliadas e modernizadas para dar melhor condições de trabalho aos profissionais e de atendimento.


Baixa oferta de médicos é problema


Em todos os oito municípios visitados pela TRIBUNA DO NORTE uma unanimidade: os gestores dizem que o déficit de equipes existe pela baixa oferta de profissionais, sobretudo médicos. E, por essa razão, se tornam “reféns” dos que se dispõem a cruzar os limites da capital. Para se ter idéia da dimensão desse problema, atualmente, cerca de 20% das equipes implantadas no Rio Grande do Norte estão incompletas.

A situação é comum: número de médicos é insuficiente e os que trabalham estãosobre carregados

As informações são do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems/RN). “Enquanto perdurar esse quadro de precarização da relação de trabalho, esse verdadeiro leilão de quem oferece mais salário e mais vantagens, e o subfinanciamento, os gargalos vão continuar. Os municípios não tem como colocar mais recursos do que eles já disponibilizam”, alerta a presidente do Cosems, Solane Costa.



No município onde é secretária de Saúde, São José de Mipibu, das 16 equipes, três estão sem médico. Para garantir a permanência dos médicos, na maioria dos municípios impera um acordo entre prefeitura e profissionais para carga reduzida. E, mesmo oferecendo bons salários e vantagens em folgas, muitas vagas chegam a ficar em aberto, por três meses ou até mais.


Atualmente, segundo Uiacy Alencar, da Sesap, cerca de 90% dos contratos são precarizados – alguns até informais, ou seja, “de boca”. Oficialmente, é feito somente o registro do médico no CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. “Não são poucos os casos que o profissional faz contrato de 40 horas, e fica apenas dois, três dias por semana”, mencionou. Normalmente, os contratos são de 11 meses, pra não gerar vínculo.


O pequeno município de Passagem, a 60 km de natal, tem um ESF e o único médico atende das 8h às 11h. Todos os dias, exceto na sexta-feira, o posto fica praticamente não tem atendimento na parte da tarde. Quem chega para alguma orientação ou solicitação é antedido pela técnica de enfermagem ou pela enfermeira.


A secretária municipal de Saúde de Passagem, Lívia Laise Lima Torres disse que a carga horária reduzida não traz prejuízo porque o município não tem área descoberta. “Não tenho nem 3 mil habitantes, então não há demanda reprimida. Se adotarmos o cumprimento dessa jornada não tem um médico que fique. Nós aceitamos as condições que eles impõem para não ficar sem médico”, afirmou.


Segundo ela “dependendo da demanda” ele fica até 13h30. Tem dias que ele chega a atender 70 pessoas. Na saída do médico anterior em 2010, a unidade ficou mais de dois meses sem médico. Ela defende que o governo federal flexibilize a carga horária, para permitir que os municípios façam contratos 20 horas. O município paga R$ 5.000,00 ao médico e mantém uma casa de apoio para os profissionais, ao lado da unidade.


RN tem 303 profissionais com mais de três vínculos


O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES traz 303 profissionais da Estratégia de Saúde da Família em 140 municípios do Rio Grande do Norte com vínculo em mais de três estabelecimentos de saúde, uma desconformidade com a recém-editada portaria 134/2001. Todos os profissionais identificados em situação irregular estão com advertência e os estabelecimentos aos quais estão cadastrados foram submetidos a análise.


A sanção prevista é a suspensão do repasse de recursos referentes ao custeio da ESF à qual o profissional está vinculado. Já no último dia 25 de abril, o Ministério da Saúde publicou quatro portarias - uma delas relacionada ao Rio Grande do Norte – suspendendo verbas em 345 municípios do país. No RN, 13 municípios tiveram repasses de recursos, da ordem de R$ 172.818, referentes às competências de janeiro, fevereiro e março, suspensos.


Exemplos de duplicidade de cadastro e de incompatibilidade de carga horária não faltam no Rio Grande do Norte. Tomando por base, as informações do CNES existem situações mais graves, onde cumprir a jornada cadastrada é humanamente impossível. Um exemplo chama atenção. O profissional é especialista em Otorrinolaringologia e tem, nada menos, que 322 horas ativas.


Para cumprir sua extensa jornada semanal ele precisa sair de Natal, onde exerce clínica médica, a São Miguel, onde tem contrato de 40 horas como médico de saúde da família. Percorre, na semana uma distância de 444 km, com passagem para trabalho em 11 municípios. O permitido para o médico é uma carga de até 64 horas.


Em Taboleiro Grande, que também teve verbas suspensas (veja gráfico), o profissional tem vínculos em sete cidades do RN e duas do CE, segundo dados do CNES da quinta-feira, 12/05. Ele soma 161 horas de jornada. Ou mesmo, um médico que atua em Macaíba e Parnamirim e consta no CNES com cadastrado em outras 9 cidades do RN. A alegação da maioria dos médicos é de que solicitam o desligamento, quando saem do município, mas não chega a ser feito.


Em Parnamirim, a médica Zélia Araújo de Medeiros Galvão se surpreendeu por saber que seu cadastro continua ativo no ESF do Capim de Bom Jesus. Há quase dois meses ele deixou a unidade. Efetivamente ela trabalha no centro de Saúde do Parque Industrial. “Não sei se foi descuido, mas já pedi pra tirar várias vezes”, diz ela.


Zélia já está cadastrada no município de Parnamirim, há mais de 30 dias. Essa é uma situação mais comum do que se pensa e, por vezes, ocorre de forma deliberada para garantir a verba do ESF. “Como o município três 90 dias para excluir o cadastrado ele segura até o limite, às vezes até conseguir novo médico”, diz Uiacy Alencar, da Sesap. No município, a coordenadora da ESF, Paula Daniela Ribeiro do Nascimento, apresentou documento para comprovar a exclusão da médica. No CNES o cadastrado continua ativo.


MPF investiga carga horária e compatibilidade


O Ministério Público Federal já abriu vários procedimentos para investigar o cumprimento da carga horária de trabalho dos profissionais de saúde e a incompabilidade. A procuradora federal Clarisier Azevedo Cavalcante de Morais citou, pelo menos, a existência de três ações que apuram esse tipo de irregularidade na Estratégia de Saúde da Família.


“É absolutamente impossível cumprir uma jornada de 120 horas. E é absurdo que a população que já sofre com tantos outros problemas no dia-a-dia,. Quando chega na unidade de saúde não tem médico porque ele não cumpre sua carga horária”, afirmou. Ele comemorou uma decisão recente da Justiça Federal condenando o atual prefeito de Equador, Vanildo Fernandes Bezerra. Ele foi acusado de acumular os cargos de médico do estado, do Saúde da Família e o cargo de secretário municipal de Saúde de Caicó.


A sentença que saiu 28 de fevereiro, suspendeu os direitos políticos do gestor pelo prazo de quatro anos, além da aplicação de multa. Ficou determinado o pagamento de multa correspondente a 30 meses de remuneração recebida na condição de médico do estado e da ESF. O médico também está proibido de contratar com o poder público por três anos.


Nos municípios de Assu, Carnaubais e Porto do Mangue, o Promotor de Justiça da 3ª Promotoria de Assu, Rafael Paes Pires Galvão, instaurou três inquéritos civis para apurar o cumprimento das 40 horas semanais e as razões para a existência de horários diferenciados. No caso de Porto do Mangue, o Promotor de Justiça teve acesso a documento que aponta para o cumprimento de apenas metade da carga horária.


As investigações levam em conta a portaria 648/GM, do Ministério da Saúde, que aprovou a Política Nacional de Atenção Básica, e que estabelece o cumprimento da jornada de 40 horas semanais de todos os profissionais nas equipes de saúde da família, de saúde bucal e agentes comunitários. O presidente do Conselho Regional de Medicina, Jeancarlo Fernandes, disse que está atento a esse problema. Por orientação do Conselho Federal de Medicina, o Cremern vem apurando denúncias, por se tratar de programa com verba federal.


“Determinar o cumprimento da carga horária é um ato administrativo do gestor, mas no momento que ferir a ética médica, como o não atendimento a um paciente que vier a ter complicações, o Conselho agirá”, disse ele. Na Ouvidoria da Sesap, segundo o coordenador Beto Madruga, das 183 denúncias, mais de 21% são relativas à ausência do médico na ESF.


“Os problemas vem não para desqualificar o programa e dizer que está falido, mas pra forçar uma mudança”, acredita a presidente do Cosems, Solane Costa. Segundo ela, houve uma evolução muito grande. “Antes do programa muitos municípios sequer tinham profissionais de saúde, principalmente médico, mas atualmente, o programa requer uma resignificação, uma reavaliação profunda”, diz ela. Apesar das dificuldades, corroborou Uiacy Alencar, coordenador da ESF, na Sesap, a estratégia melhorou e muito o perfil epidemiológico do estado. O programa conseguiu melhorar o acesso ao pré-natal; aumentar a cobertura vacinal; reduzir a desnutrição e trabalhar melhor o problema da gravidez na adolescência. “Houve uma expansão do acesso à atenção primária, agora precisa trabalhar a qualidade desse acesso e o estado vai se esforçar para alcançar essa meta”.


Parnamirim e Macaíba tentam expandir Saúde da Família


Para tentar expandir as unidades de Saúde da Família, Parnamirim e
Macaíba, estão pleitando junto ao governo federal, por meio do PAC II,

recursos para construção de novas estruturas para Unidades Básicas de

Saúde.

Nelas, serão implantadas as ESFs credenciadas, mas não implantadas.

Parnamirim, por exemplo, pode implantar mais 29 unidades de Saúde da

Família.



O secretário adjunto de Saúde, Henrique Costa, salienta que não

é só construir as unidades. A exemplo de outros gestores, ele reclama

do baixo financiamento da ESF, da escassez de recursos próprios dos

municípios e da baixa oferta de médicos. São pontos que travam a

expansão do programa e até mesmo a complementação das equipes já

implantadas e que estão sem médico. Três equipes estavam sem médico até o

início de maio.


“Existe um subfinanciamento terrível. Hoje, o custeio é bancado pela

prefeitura, inclusive com complemento de salários”, afirma. Segundo ele,

o município desembolsa, por equipe, R$ 10 mil. O repasse federal do ESF

é de R$ 6.400,00 para municípios com IDH maior que 0,6 e R$ 9.600,00 no

caso de IDH menor que 0,6.


Em Parnamirim, das 71 equipes credenciadas, 42 foram implantadas. O

município pleiteia oito USBs no PAC II. Outras três estão em construção,

com recursos do Fundo Nacional de Saúde. De acordo com estimativas do

Cosems uma equipe de Saúde da Família exige investimentos entre R$ 20 e

R$ 25 mil para seu funcionamento. O Governo Federal custeia 1/3 desse

valor. No começo do programa essa parcela chegou a ser de 2/3.


A expansão do programa em Parnamirim estagnou, a partir de 2009. Em

1999, eram 06 equipes; em 2001, 12; em 2004, 22; em 2007, 36; e em 2009,

passou para 42. Há dificuldade inclusive de manter os médicos já

contratados. “Hoje, nós temos 10 médicos que acenam que vão sair do

programa, mediante assédio de cidades vizinhas”, afirmou Henrique Costa.


Na unidade de Estratégia de Saúde da Família de Bela Vista, zona rural

de Macaíba não tem médico na quarta-feira. Nesse dia, a médica dá

plantão em unidade hospitalar, em Parnamirim, onde tem contrato com

vínculo empregatício de 20 horas. Os pacientes reclamam mais presença

dela na unidade.


“Dizem que ela só não vem na quarta, mas minha primeira consulta já foi

remarcada duas vezes porque ela não veio em outros dias”, reclama Joana

D’ark Dossantos, grávida de cinco meses. Na quarta-feira, 27 de abril,

Joana tinha a segunda consulta, mas a médica estava de folga. “Todo mês a

gente quer saber como está o bebê e sem médico fica difícil”, reclama.


Segundo a enfermeira chefe da unidade, Márcia Carvalho, são realizados,

por mês, 330 atendimentos médicos, e ninguém que chega à unidade sai sem

atendimento. A área de cobertura é de 1.400 famílias no bairro Bela

Vista.


Em Macaíba, segundo o secretário de Saúde, Júnior Rego, oito unidades

foram credenciadas há 15 dias. “Estamos no planejamento para implantar

essas equipes, em prédio de novas unidades básicas no padrão que criamos

para nossa rede”, afirmou. Duas USBs já estão em construção, uma foi

concluída e outras cinco foram pleiteadas no PAC II.


O município tem 28 ESFs credenciadas e 20 implantadas, com cobertura de

76% da população. As áreas descobertas são atendidas por uma equipe

volante, própria da prefeitura. “Optamos a trabalhar dessa forma para

evitar clarões de desassistência”, disse.

sábado, 14 de maio de 2011

Agentes da dengue: nem voltaram, já ameaçam parar

Saúde - Natal,RN


Ricardo Araújo - Repórter da Tribuna do Norte


O Sindicato dos Agentes de Saúde (Sindas) protocolou ontem, na sede da Prefeitura e na Promotoria da Saúde, o ofício nº 091/2011. O documento reforça o retorno dos agentes municipais ao serviço na próxima segunda-feira, mas com a condição de uma abertura à negociação com a Prefeitura. “Nós decidimos voltar ao campo. Mas se a prefeita não atender nossa reivindicação, iremos parar novamente na quinta-feira”, destacou o secretário do Sindas, Cosmo Mariz.


Cosmo afirmou que somente com o novo LIRA será possível traçar um novo plano de trabalho. “Na segunda-feira nós iremos nos apresentar aos nossos supervisores. Até agora, o Centro de Controle de Zoonoses não nos posicionou como será feito o trabalho”, disse.


Somente com os dados relacionados ao contingente vetorial, que dá um diagnóstico prévio do índice epidemiológico, é que as ações poderão ser melhor distribuídas. Alessandre Medeiros afirmou acreditar que, em até três dias, o LIRA esteja pronto. Ele alertou que já é preciso pensar nas ações contínuas para que a epidemia não se repita em 2012.


Recomeço


Apesar do cancelamento do contrato da Prefeitura de Natal com o Instituto de Tecnologia, Capacitação e Integração Social (ITCI), a recém-empossada secretária municipal de Saúde, Maria do Perpétuo Socorro Nogueira, prometeu ações enérgicas no combate ao aedes aegypti. A anulação do acordo trouxe consigo um legado de consequências negativas para as ações contra a dengue em Natal. Por outro lado, oxigenou a vontade dos agentes de saúde municipais de retomarem ao trabalho e começarem um novo ciclo de visitas aos domicílios. O trabalho, porém, não será fácil. Um novo Levantamento Rápido de Infestação (LIRA) deverá ser feito nos próximos dias para mensurar os índices e subsidiar a coordenação das ações.


De acordo com o coordenador do Programa Municipal da Dengue, Alessandre Medeiros, os 150 agentes terceirizados pelo ITCI serão incorporados pela Prefeitura. Com ressalvas, porém.


“Ao final do treinamento que demos aos terceirizados, eles fizeram uma prova. Os 95 que conseguiram atingir a média (7) irão pro campo com os agentes municipais a partir da próxima semana. Os demais, passarão por uma reciclagem e poderão, ou não, ir pro campo”, explicou Medeiros.


Além disso, o pessoal que trabalha no Centro de Hidratação, na Cidade da Esperança, também será mantido. O contrato firmado entre eles e o ITCI será finalizado para dar lugar a um acordo com o Município. Informações sobre a manutenção ou revisão dos salários não foram repassadas pela Secretaria Municipal de Saúde.


“Nós estamos fazendo um cadastro dos profissionais que trabalham no Centro de Hidratação e dos agentes terceirizados para contratá-los”, garantiu Maria Nogueira. Tais ações seguem orientação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que solicitou a nulidade do contrato.


Novo ciclo de combate só deve ser concluído em sete semanas


Para Alessandre Medeiros, um dos integrantes da Comissão Técnica de Acompanhamento, Fiscalização e Controle do Projeto “Natal Contra a Dengue”, o cancelamento do contrato pelo Município foi uma decisão acertada. Ele afirmou que o procedimento correto em relação aos agentes terceirizados será feito a partir da próxima semana. “Eles acompanharão os mais experientes no campo. Iremos distribui-los de acordo com a necessidade de cada equipe nas cinco zonas epidemiológicas da capital”, ressaltou.


Com o esforço extra no quadro dos agentes municipais, o coordenador acredita que o segundo ciclo das visitas domiciliares seja concluído em até sete semanas. Em Mãe Luíza, bairro que apresentou os maiores índices de infestação da cidade, o segundo ciclo foi concluído graças a uma força tarefa realizada dias antes do início da greve. O objetivo agora é expandir esta ação para os demais bairros da capital.


Para isto, o Executivo Municipal sinalizou positivamente para as solicitações feitas pelos coordenadores do Centro de Controle de Zoonoses. Com a dispensa das vans utilizadas pelo ITCI para transporte dos agentes e pacientes entre um posto de saúde e o Centro de Hidratação, os coordenadores solicitaram a aquisição de motocicletas, para uso dos supervisores, e veículos com compartimento de cargas para auxiliar as operações. Já o translado de pacientes ficará a cargo das ambulâncias do Samu e do Prae.


“Se tivermos os recursos humanos e a infraestrutura adequada com equipamentos adequados para as ações de combate, nós conseguiremos fazer um bom serviço”, declarou Alessandre. Sobre o cancelamento do contrato ele comentou que muitas metas não haviam sido cumpridas pelo ITCI.


Ele alerta, entretanto, que já é preciso pensar nas ações de combate para o ano que vem. De acordo com o infectologista Hênio Lacerda, em 2012, o sorotipo 4 poderá ser identificado em Natal. A educação da população e a intermitente ação da Saúde Municipal são de suma importância. O alerta foi dado.


Recomeço
- Parte dos 150 agentes temporários contratados pelo ITCI serão reaproveitados no trabalho de combate ao mosquito;
- Toda a equipe da Central de Hidratação também continua;

- A Prefeitura do Natal anunciou que contará com a ajuda do Samu e do Prae para transportar pacientes das unidade de saúde para a Central.


Prioridade: abastecimento dos postos


Quais são suas metas como secretária, a partir de agora?


As minhas metas, que são as metas já discutidas com a prefeita Micarla de Sousa, são a melhoria e o fortalecimento da atenção básica. Nós queremos fortalecer as unidades de saúde básica, as unidades de saúde da família e melhorar a saúde preventiva da população de Natal.

Já existe algum plano de reabastecimento dos postos de saúde municipais?

Sim.A gente já começou essa discussão de promover o abastecimento das unidades o mais rápido possível. Inclusive já está acontecendo um processo licitatório e com certeza essas medicações já devem estar chegando. Foi um processo licitatório que iniciou-se no mês passado. Nós também vamos fazer uma força-tarefa para organizar as estruturas físicas das unidades
.
Do seu ponto de vista, o que é mais complicado neste momento?

É o abastecimento (dos postos de saúde). Este é o ponto que nós vamos atacar prioritariamente.
A senhora é contra ou a favor da contratação de organizações sociais?

Eu não sou contra e nem sou a favor. Eu sou a favor de uma saúde de qualidade para a população. Então, às vezes, a contratação de uma organização social é um mecanismo que o Município tem para poder agilizar ou efetuar um serviço. Por exemplo: a contratação da OS (referindo-se ao ITCI) aconteceu porque nós estávamos no limite prudencial e não poderíamos contratar servidores ou comprar produtos sem passar pelos trâmites legais (licitação pública). A contratação da OS foi uma estratégia de urgência para poder fazer com que o serviço não deixasse de existir. A prioridade é que a gente possa fazer serviços contratados pelo SUS com nosso próprio quadro (de funcionários) ou com instituições públicas.

E agora, diante desta situação com a dengue, haverá uma atenção especial ao combate?

Sim, com certeza. Na verdade, a população pode ficar tranquila. Não haverá prejuízo com o cancelamento do contrato. Nós manteremos todas as atividades que foram iniciadas até porque nossa equipe já estava participando dela de alguma forma. O Centro de Hidratação se manterá com escala médica. Nós já mantivemos contato com a Coopmed (Cooperativa dos Médicos). Estamos fazendo o cadastro dos profissionais que estavam trabalhando lá e também dos agentes de endemias para que nós façamos o contrato com eles, por já estarem capacitados. A diferença vai ser que ao invés de serem contratados pelo ITCI, serão contratados pela Secretaria Municipal de Saúde que inclusive foi autorizada pelo Tribunal de Contas do Estado.

Como a senhora avalia o cancelamento do contrato?

O cancelamento foi uma orientação jurídica e do gabinete da prefeita. Realmente essa foi a melhor decisão encontrada pela gestão.

A senhora já tomou conhecimento da ação judicial impetrada pelo Ministério Público para o pagamento dos hospitais particulares conveniados ao Sistema Único de Saúde?

Eu ainda não tenho um conhecimento detalhado sobre isso. Nosso coordenador financeiro já saiu em campo para resolver esta situação.

Um melhor trabalho será feito a partir de agora?

Sim, com certeza. A gente tem uma equipe técnica muito valiosa e ela está toda empenhada em fazer essa recuperação da atenção básica, para oferecer aos munícipes de Natal uma saúde de qualidade.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Secretaria de Saúde rescinde contrato com ITCI

Saúde - Natal,RN

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal rescindiu unilateralmente, nesta quarta-feira (11), o contrato com Instituto de Tecnologia, Capacitação, e Integração Social (ITCI) para ações de combate à dengue. A rescisão está publicada na edição do Diário Oficial do Município e é assinado pelo secretário Thiago Trindade.

O contrato foi assinado no dia 12 de abril passado e desde então vinha sendo questionado pelo Ministério Público e, mais recentemente, pelo procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte. Na manhã de hoje, às 9h, está prevista plenária do TCE para definir se o tribunal vai ou não pedir pelo cancelamento do contrato.

TCE pede nulidade do contrato com ITCI

Saúde - Natal,RN


A sessão ocorreu na manhã desta quart-afeira
Ricardo Araújo - Repórter

O presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, Alcimar Torquato de Almeida, abriu a 1 Sessão da Câmara de Contas com o objetivo de julgar as irregularidades apontadas pelo promotor Luciano Silva Costa Ramos acerca do contrato firmado entre o Município e o Instituto de Tecnologia, Capacitação e Integração Social-ITCI.

A conselheira do TCE e relatora do processo 4.444/2011, Maria Adélia Sales, fez a leitura do seu voto diante de um plenário repleto de agentes de endemias municipais. O procurador geral do Município, Bruno Macedo, defendeu a Prefeitura dizendo que os argumentos do Tribunal de Contas do Estado em relação ao contrato em questão são infundáveis.
Por unanimidade, a nulidade do contrato foi proferida pela relatora Maria Adélia Sales. A relatora caracterizou as ações do Município no combate à dengue como uma "inércia".

Rescisão
A Prefeitura Municipal de Natal antecipou-se à decisão do TCE e emitiu, há poucos instantes, uma nota oficial onde justifica a rescisão do contrato com a empresa pernambucana ITCI, que receberia R$ 8,1 milhões para gerenciar durante três meses ações de combate a dengue.

No comunicado, o Executivo não admite irregularidade na contratação e culpa a ITCI pela rescisão, por “não cumprir recomendações sugeridas pelo município”.


Ex-secretário de Saúde afirma que contrato com o ITCI foi aprovado pelo Gabinete Civil

Saúde - Natal,RN

Anna Ruth Dantas - Panorama Político

O ex-secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, afirmou que todo contrato firmado com o ITCI, empresa pernambucana que receberia R$ 8,1 milhões para gerenciar durante três meses ações de combate a dengue, foi analisado e aprovado pelo Gabinete Civil, que tem como titular Kalazans Bezerra. “Eu não exonero e nem nomeio. Todo ato administrativo passa pela análise do Gabinete Civil. O projeto ‘Natal contra Dengue’ foi desenvolvido no âmbito do Gabinete Civil. Eu não tomo decisão individual”, comentou Thiago Trindade, que pediu exoneração do cargo.

O contrato com o ITCI foi o ponto alto da crise na Secretaria Municipal de Saúde. “Quem quer que assuma (a Secretaria) vai se deparar hoje com carência total no combate a dengue. Os agentes estão em greve e a não contamos mais com os 150 agentes temporários”, comentou Thiago.

Thiago Trindade deixa a SMS de Natal

Saúde - Natal,RN


O secretário municipal de saúde, Thiago Trindade, confirmou há pouco em coletiva que vai deixar a pasta. O anúncio foi feio em meio às explicações quanto à suspensão do contrato entre a SMS e o Instituto de Tecnologia, Capacitação e Integração Social-ITCI, publicado na edição desta quarta-feira no Diário Oficial do Município.

Thiago Trindade é advogado e ocupava, antes de assumir a SMS,  o cargo de secretário adjunto da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur). Ele foi nomeado secretário de saúde do Município no dia 23 de abril de 2010, e assumiu a pasta depois de nove meses como adjunto da Semsur.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cirurgia cardíaca: de volta à vida normal

Saúde - RN


Isaac Ribeiro - repórter da Tribuna do Norte


O avanço da medicina faz cair por terra o velho mito de que quem é operado do coração está no final da vida. A tecnologia tem contribuído bastante para tornar o diagnóstico mais preciso, os procedimentos cirúrgicos mais eficazes e menos prolongada a recuperação, com o retorno às atividades cotidianas sendo abreviado. Isso vale para cirurgias cardíacas mais complexas, colocação de pontas de safena ou mamária, vascularização, angioplastia, implante de stent ou marca-passo.


Mas cada paciente representa um caso isolado e suas condições clínicas e histórico de hábitos de vida estão diretamente atrelados a um bom pós-operatório e consequente volta à “normalidade” cotidiana.


De acordo com o cardiologista Itamar Oliveira, presidente da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Norte, apenas cerca de 30% dos pacientes são submetidos à cirurgia cardíaca. A grande maioria, cerca de 80%, é de casos passíveis de solução com a colocação de stent, espécie de pequenos balões inseridos no interior das artérias, que, ao serem inflados, desobstruem o vaso, reestabelecendo o fluxo de sangue (ver gráfico na página 3).

Itamar Oliveira é presidente da Sociedade de Cardiologia do RN
 Itamar Oliveira diz realizar uma média de 700 procedimentos de colocação de stents por ano, com retorno à vida normal mais rápido do que muita gente imagina. “Hoje, noventa por cento dos nossos pacientes de angioplastia fazem o procedimento num dia e no outro vão embora para casa. E no outro, dependendo do caso, podem viajar, trabalhar, enfim, fazer o que quiser. Já tive paciente que fez angioplastia e no outro dia foi para os Estados Unidos.”



Porém, para casos mais complicados, um infarto agudo do miocárdio, por exemplo, a volta às atividades é mais demorada, dependendo do tamanho do fato e da circunstância do paciente. “Aqueles bem tratados, com recuperação da artéria, e que obtiveram sucesso no tratamento, esses sim podem voltar a ter uma atividade, começar tudo bem devagarzinho... As restrições maiores são quanto à cicatrização do corte”, comenta o cardiologista. “Mas hoje a volta é bem precoce.”


Na angioplastia, a maioria logo se reestabelece, segundo Itamar Oliveira. “Pode voltar a ter vida sexual quando chegar em casa; e até usar viagra, dependendo da medicação que esteja usando.” Com relação a exercícios físicos, a recomendação, além da medicação, é não fazer exercícios que provoquem, muita desidratação, perda líquida.


DETECTANDO O PROBLEMA


O paciente com suspeita de algum distúrbio cardíaco tem sua situação clínica diagnosticada através de eletrocardiograma, teste de esforço, exame de enzimas, sendo o cateterismo o que vai mostrar se realmente há obstrução da artéria por placas de gordura. E se o caso é para cirurgia ou angioplastia, ambos denominados procedimentos de revascularização, sendo a colocação de stent menos invasiva, sem necessidade de abrir o peito do paciente.


“É no cateterismo que julgamos a necessidade do paciente ir para a cirurgia, para angioplastia ou ficar em tratamento clínico. Introduzimos sondas adequadas e através do sistema de imagens de raio-X que passa pelo paciente, nós injetamos nele uma substância chamada contraste, que vai delinear a luz na artéria e mostrar se ela tem obstruções ou não.”


Disciplina e repouso são fundamentais para uma boa recuperação


Hoje faz exatos 65 dias que Domingos Sávio da Costa Souza, 60 anos, empresário do setor de produção de vídeo, mais conhecido entre os amigos como Perón, foi submetido à uma cirurgia para colocação de uma ponte de safena e outra mamária. O motivo foi obstrução de 80% de uma artéria coronária. Antes disso, ele já tinha recebido três stents no coração.


Perón classifica seu pós-operatório como maravilhoso e confere todos os méritos de sua recuperação à equipe que o atendeu. “Foi muito importante a tranquilidade que todos me passaram”, comenta ele, afirmando ainda não ter sentido uma única dor durante todo o processo. “É uma situação que exige muito de cada um; do estado físico e da cabeça de cada pessoa.”


De temperamento inquieto e “muito elétrico”, Perón confessa estar incomodado com o tédio imposto pelo pós-operatório. Mas compreende a necessidade do repouso. “É melhor perder uns dias em casa, repousando, sendo disciplinado, do que ter alguma complicação. É manter a cabeça fria, ler alguns livros, ver tevê e relaxar ao máximo”, recomenda.


Mas o empresário já está liberado pelos médicos para realizar pequenos passeios e sabe que com 90 dias de cirurgia poderá voltar a dirigir. Por enquanto, tem caminhado por meia hora na área aberta do prédio onde mora.


Os problemas cardíacos de Perón não são de hoje. Há cinco anos passou a sentir um aperto à altura da garganta, na região do esôfago. “Não era dor; era algo que incomodava muito, mas não dá para explicar.” Um cateterismo realizado, à época, não detectou nenhuma obstrução. Os sintomas voltaram após um ano, mais fortes e mais frequentes. Uma nova bateria de exames — eletrocardiograma, teste de enzima, cateterismo e eco-estresse — acusou três artérias comprometidas. Foram colocados stents.


Mas mesmo assim, os problemas continuaram. E um novo e forte mal-estar foi sentido enquanto caminhava com amigos no Bosque dos Namorados. Foi tomada então a decisão de que era hora de realizar a cirurgia cardíaca. Embora tenha sido fumante por trinta anos, o empresário já havia abandonado o tabagismo, fazia dieta e estava oito quilos mais magro. “Não foi abuso de cigarro, bebida, frituras.”


DIFÍCIL READAPTAÇÃO


Já o jornalista Marcílio Amorim, que sofreu um infarto no início do ano passado, confessa não estar conseguindo seguir à risca as recomendações feitas por sua médica para depois da angioplastia a que foi submetido. Ela recomendou uma vida menos estressante, diminuição de peso com atividade física e alimentação balanceada. Fora isso, ele considera normal a vida após o susto e a colocação de um stent no coração.


“Já fiz dois checapes pós-infarto e não acusou nada. Não sou diabético, não sou hipertenso e nem tenho colesterol alto”, comenta Marcílio, que planeja fazer redução de estômago ainda este ano para resolver a questão das recomendações de perda de peso e alimentação de uma única vez.


O jornalista conta nunca ter sido submetido a nenhum procedimento cirúrgico antes de implantar o stent. “Nunca tinha levado nenhum ponto sequer. Não tinha noção do que estava acontecendo comigo.”


Os primeiros sinais de que algo estava errado foram uma dor muito forte no braço esquerdo e uma sensação ruim, uma agonia. “Era como eu estivesse levantando um carro só com um braço. Fui parar na UTI!” Dois dias depois, Marcílio estava sendo submetido a um cateterismo para detectar o problema. Identificada a obstrução em uma artéria, foi decidida a angioplastia. Cronologicamente, ele lembra ter entrado no hospital dia 4 de janeiro do ano passado; dia 6 o stent foi implantado e no dia 9 saiu do hospital caminhando normalmente. De início, tomava seis tipos de medicamentos para ajudar na adaptação ao stent. Atualmente, tomo apenas dois; um para a pressão, e um AAS. “Hoje, me considero uma pessoa com vida normal.”


Mudança de hábitos de vida é fundamental antes e depois


Na hora em que for acender um cigarro, é bom lembrar sempre que esse hábito nada saudável, diga-se, apesar do prazer momentâneo, pode causar muito, mais muito mal mesmo à saúde, inclusive comprometendo pulmões e a atividade cardíaca. E esse é apenas um dos comportamentos condenados pelos médicos. O resultado pode ser a passagem por uma mesa de cirurgia...


Uma vez sentidos os sintomas de um problema cardíaco sério, e comprovada a necessidade de cirurgia, algumas medidas devem ser tomadas; entre elas a mudança de hábitos de vida.


É preciso abandonar o tabagismo e o consumo de álcool pelo menos dois meses antes do procedimento. Manter uma alimentação saudável e balanceada também é importante. A mudança de hábitos de vida é fundamental para o sucesso pós-cururgia.


“Mas, na verdade, a mudança de hábitos tem de vir antes do problema acontecer. Depois que acontece, as pessoas têm mais aderência, porque passaram pelo susto”, analisa o cardiologista Itamar Oliveira, que atrela o retorno do cirurgiado às suas atividades cotidianas ao seus histórico de vida e clínico.


De acordo com o médico, como boa parte dos pacientes é sedentária, não é objetivo de ninguém torná-los atletas, ou voltar a sê-lo; e sim apenas incluir uma atividade na rotina.


Estudos demonstram que, no pós-operatório, a porcentagem dos pacientes que fumavam foi reduzida de 24% para 12%; os que praticavam alguma atividade física regular subiram de 16% para 47%, e a porcentagem dos que adotaram uma dieta pobre em gorduras saturadas passou de 34% para 72%.

ABC vence Santa Cruz e é bicampeão estadual

Futebol - RN


O ABC quebrou o tabu de vitórias contra o Santa Cruz em grande estilo. Com autoridade, o alvinegro aplicou 3 a 1 na equipe do Trairi e não deu chances para o adversário, que jogava com a vantagem do empate para conseguir o título. No entanto, o ABC começou bem e se impôs desde o inicio da partida.

Jogadores comemoraram o 52º título regional do ABC

 Jogando com força máxima, o ABC iniciou o jogo indo para cima do Santa Cruz. Cascata, Gabriel e, principalmente, Leandrão estavam inspirados e mostrando disposição. Logo aos 5 minutos de jogo, no entanto, foram os laterais que chegaram com perigo ao gol. Pio cruzou rasteiro da direita e Renatinho Potiguar soltou a bomba na trave esquerda de Isaías. O lance inflamou a torcida, que foi recompensada pouco tempo depois.



Aos 14 minutos, Cascata arrancou pelo lado esquerdo e passou para Gabriel. O atacante do ABC deu um lindo passe de calcanhar para Leandrão que, dentro da área, completou para o gol. Com o 1 a 0 no placar, o alvinegro reverteu a vantagem e o Santa Cruz demonstrava nervosismo em campo. Jogadores não conseguiam levar perigo ao gol de Wellington e o ABC manteve o domínio, até que o segundo gol saiu de forma natural.



Capitão Basílio comemorou mais um título pelo ABC

O volante Bileu, um dos destaques do ABC na partida, fez ótimo lançamento para Cascata. Camisa 10 alvinegro invadiu a área em velocidade e tocou com capricho no lado esquerdo de Isaías. A bola tocou na trave e voltou nos pés do próprio Cascata, que mandou a bomba e fez o segundo gol da equipe, aos 39 minutos. O placar se manteve até o fim do primeiro tempo.
Na segunda etapa, o Santa Cruz apostou na entrada do meia Wlademir, que entrou na vaga do zagueiro André Luís. E logo no início do jogo a equipe do Trairi demonstrou que iria buscar o resultado. E o gol do tricolor saiu, mais uma vez, com o jovem Felipe.


 O atacante, cria do ABC, entrou na vaga de Didi Potiguar e sofreu falta na entrada da área. Aos 14 minutos, ele mesmo foi para a cobrança e mandou no contrapé do goleiro Wellington, que nada pôde fazer. Com o gol, a equipe do Trairi cresceu no jogo. Caso marcasse o segundo tento, o Santa Cruz voltaria a ficar com o título nas mãos. Porém, o experiente zagueiro Pantera complicou as coisas para o tricolor.




Leandrão foi o destaque do ABC na final do Campeonato Estadual

Depois de polêmicas durante a semana, o jogador era o mais perseguido pela torcida do ABC. Em um contra-ataque puxado pelo atacante Leandrão, Pantera fez falta dura e, aos 23 minutos, recebeu o cartão vermelho direto. Os jogadores do Santa Cruz protestaram, mas tiveram que mudar a postura em campo, e o ABC se aproveitou.

Jackson fez o terceiro gol do ABC



O experiente Jackson, que havia entrado na vaga de Gabriel, que sentiu câimbras, teve o seu momento de redenção. Bastante criticado, foi ele que aproveitou a sobra de uma disputa de bola entre Leandrão e Lano. O meia, dentro da área, driblou Isaías e mandou para as redes aos 25 minutos.
Os 10 jogadores do Santa Cruz que permaneceram em campo até tentaram impor seu jogo, mas o ABC soube controlar a partida e segurou o placar, que garantiu o bicampeonato estadual e a festa da Frasqueira.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dieta e exercícios são a fórmula para perder peso também após a gravidez

Saúde - Brasil

Durante a gestação, mães devem ganhar entre 9 e 12 quilos, em média.



Depois do parto, principal preocupação é com a qualidade do leite.
 
 
Durante a gestação, o corpo de uma mulher passa por muitas mudanças. A mais visível delas é o aumento da barriga – que resulta, logicamente, também em um ganho de peso. Voltar à forma de antes da gravidez é um desafio que toda mãe encara e não há segredo nem fórmula mágica. Para perder peso depois de um filho, vale a mesma regra do resto da vida: controlar a dieta e fazer exercícios.


“Não há nada muito específico, é alimentação e atividade física”, afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo.


“Vale destacar que, enquanto a mulher está amamentando, não pode tomar remédio [para emagrecer]”, completa ele.



Uma mulher com altura de entre 1,55 m e 1,70 m, dentro da média brasileira, costuma ganhar entre 9 kg e 12 kg durante a gestação. Esse peso se deve principalmente ao peso da própria criança, do líquido amniótico (que envolve o bebê no útero), da placenta e do volume de sangue da mãe, que aumenta bastante na gravidez, mas volta ao normal depois do parto.
“A alimentação da gestante tem um teor calórico muito maior”, explica a endocrinologista Cláudia Cozer. Segundo a médica, o consumo de alimentos pode aumentar em cerca de 20% no período e deve voltar ao normal depois do parto.
“Não é o momento propício para fazer dieta. Se houver alguma restrição calórica durante a gravidez, isso altera a nutrição fetal, o que pode ter consequências graves para a criança”, concorda o obstetra Olímpio de Moraes Filho.
 
 
Experiência materna
 



A publicitária Patrícia Russo, de 39 anos, conhece bem as dificuldades que um parto traz, na prática, para quem quer manter o peso. Ela conta que, desde o nascimento de seu primeiro filho, há 13 anos, nunca mais voltou a ter as medidas de antes.
Nesse primeiro parto, teve complicações. O filho Daniel nasceu prematuro e ela nem conseguiu amamentá-lo. "Acredito que ai foi o que desencadeou engordar e não mais voltar ao peso inicial", conta Patrícia.
Desde então, ela vive acima de seu peso ideal. Três gestações vieram: respectivamente um feto natimorto, um par de gêmeas e o caçula Miguel, hoje com três meses. Em todas, Patrícia recuperou o peso que tinha antes da gravidez, mas jamais voltou ao peso ideal. Ela conta que tem uma alimentação saudável e variada, e que já eliminou os 12 kg que ganhou na última gestação.


Exercícios físicos


Se o consumo de alimentos deve crescer, o exercício físico passa a ser o principal aliado das mães que querem manter a forma durante a gravidez. Há restrições, mas nenhuma proibição.
 
“Atividades de impacto devem ser diminuídas no primeiro trimestre de gestação, mas ginásticas com menos impacto continuam permitidas, não tem porque suspender”, diz Cozer, que é uma das diretoras da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Nessa lógica, a hidroginástica é a atividade mais recomendada por Moraes, que é presidente da Comissão de Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). O obstetra lembra ainda que a capacidade respiratória é afetada na gravidez, o que influi no exercício físico.
Na prática, Patrícia confirma o que dizem os médicos. "Fiquei um mês sem empregada em casa, então vi na prática que a atividade física emagrece", brincou. Contudo, mostra como é difícil para uma mãe arranjar tempo para ir à academia e cuidar de quatro filhos. "E a licença maternidade termina mês que vem", acrescentou.


Puerpério


No período pós-parto, chamado na medicina de “puerpério”, a dieta começa a voltar ao normal, mas é preciso levar em conta a amamentação. Além da proibição de remédios, há recomendações para que a dieta seja variada, englobando todos os grupos alimentares.
Alimentos como arroz, pão e batata, muitas vezes vistos como "inimigos" de quem quer perder peso, não devem ser cortados. “Na fase de amamentação, não se pode fazer uma restrição muito grande aos carboidratos”, recomenda Cozer.
Segundo a endocrinologista, as alterações hormonais da gravidez também podem entrar em cena. “O que às vezes influencia são alterações na tireoide durante a gravidez e no pós-parto. Vale a pena fazer exames pra acompanhar”, afirma. O hipotireoidismo, que é comum nessa fase, pode ocasionar ganho de peso.
Quanto ao resguardo, o pior momento são os primeiros dez dias. “A mãe nem dorme direito, a adaptação é difícil”, diz Moraes. Quando o parto é normal e sem complicações, em menos de um mês a mulher já se sente em condições de retomar os exercícios físicos. Em caso de cesarianas, o limite máximo é de dois meses. Naturalmente, ela estará fora de forma e levará um tempo até se readaptar, o que é normal.
 
 
Depressão pós-parto
 

Segundo Moraes, entre 10% e 15% das mulheres sofrem de depressão pós-parto. “É mais comum no primeiro filho, mas depende das circunstâncias. Ocorre em mulheres com histórico de depressão, gravidez indesejada ou com pouco apoio familiar”, explica o obstetra.
Nesse caso, o controle do peso deixa de ser prioridade. “Muitas vezes, a mãe não tem ânimo nem pra cuidar do filho”, conta o médico. Dessa forma, fica inviável pensar em exercícios físicos.
Quando isso ocorre, a inatividade não é o único fator que pode influir no peso. “Toda depressão tem uma tendência a uma alimentação mais compulsiva, com seleção pior dos alimentos”, diz Cozer.
 
 

Bispos criticam união gay em dia de votação do tema no STF

Religião - Brasil


Para eles, o casamento pressupõe que homens e mulheres gerem filhos
Bispos estão reunidos no interior de SP na 49ª Assembleia Geral da CNBB.


Pouco depois de o Supremo Tribunal Federal retomar, no início da tarde desta quinta-feira (5), o julgamento de ações sobre o reconhecimento da união entre casais do mesmo sexo, alguns bispos em São Paulo se manifestaram contra a proposta. Para os religiosos, que estão reunidos na 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no interior do estado, a Igreja defende a família como uma instituição formada por homem e mulher, capaz de gerar filhos.




Dom Anuar Battisti, gaúcho e arcebispo de Maringá (PR), chegou a dizer que chamar de casamento a união entre homossexuais representa uma “agressão frontal” à família. Para ele, se o projeto for aprovado no STF, as pessoas estarão “institucionalizando a destruição da família”. O encontro anual do episcopado ocorre em Aparecida, no Vale do Paraíba. A pauta principal dos religiosos neste ano é eleger a nova direção da CNBB. Eles também discutirão diretrizes da ação evangelizadora.


Dom Orani, dom Joaquim, dom Edney e dom Anuar tocam no tema polêmico ao serem questionados

durante a coletiva de imprensa

“O ser humano de fato se realizará na sua profundidade de sua relação na constituição da família a partir de um casal formado por homem e mulher”, afirmou dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte. Questionado sobre o que pensava sobre a adoção de crianças por pais do mesmo sexo, respondeu: “A adoção é um serviço da mais alta nobreza. Só não aceitamos fazer a equiparação com a família. Não é família. É uma comunidade de pessoas”, disse ele, ao se referir aos casais homossexuais que vivem juntos.


Fora da pauta


Polêmico, o assunto foi abordado por jornalistas na entrevista, por volta de 15h30, em que quatro bispos estavam presentes. O porta-voz do evento e arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, tomou o microfone e lembrou que o tema “não é assunto da assembleia” e não está na pauta do encontro, que vai até o dia 13 de maio. Apesar disso, ele se posicionou, dizendo que a Igreja “sempre defende e defenderá o direito das pessoas” e ela é “contra a exclusão”. No entanto, ressaltou que a família “é uma entidade que vem do direito natural”.


Ao dar seu ponto de vista, dom Edney Gouvêa Mattoso, atual bispo diocesano de Nova Friburgo (RJ), pediu discernimento. “Uma coisa é a união civil. A outra é o casamento, que é um sacramento da Igreja. O direito de duas pessoas constituírem patrimônio é consenso, mas não devemos chamar isso de casamento.”


Direitos estendidos


Caso o Supremo reconheça a união estável entre casais gays, a decisão criará um precedente a ser seguido por todas as instituições da administração pública, inclusive pelos cartórios de todo o Brasil. Direitos como herança, comunhão parcial de bens, pensão alimentícia e previdenciária passarão a ser assegurados a casais de pessoas do mesmo sexo.


Para dom Edney, se a proposta for aprovada no STF, “nada vai mudar” no posicionamento da Igreja Católica. “Ela vai continuar defendendo os direitos da família e a nossa fé. Isso também é liberdade.”


O bispo auxiliar de Belo Horizonte, dom Joaquim Guimarães, afirmou que, se os ministros votarem a favor da união estável entre os casais homossexuais, a Igreja vai precisar reforçar suas posições. “Esse assunto já foi discutido em outros países. No Brasil, devemos dar o exemplo para reforçar nossa ação na criação de convicção nas pessoas. Ainda que a lei permita isso ou aquilo, a minha convicção é essa.”



 

STF decide pelo reconhecimento da união homoafetiva no Brasil

União Homoafetiva - Brasil


O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou no início da tarde desta quinta-feira (5) o julgamento conjunto das Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, onde são discutidas a possibilidade do reconhecimento da união estável para casais do mesmo sexo. Mesmo antes do resultado final, o STF, com 6 votos favoráveis, decidiu pelo reconhecimento da união homoafetiva.



O julgamento começou na quarta-feira (4), quando o relator das ações, ministro Carlos Ayres Britto, votou no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723, do Código Civil, que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.


Com o voto do ministro Gilmar Mendes, o placar ficou 6 a 0 a favor do reconhecimento da união homoafetiva. Além de Mendes e de Carlos Ayres Britto, votaram favoravelmente os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa. Caso os ministros não alterem seus posicionamentos, a união homoafetiva passa a ser reconhecida pela Justiça brasileira.

Em greve, agentes de saúde realizam ato público na zona norte de Natal

Saúde - Natal,RN


Em greve desde a última segunda-feira (2), os agentes de saúde do município realizaram caminhada pelas ruas da Zona Norte para protestar contra a Prefeitura. De acordo com a categoria, o ato público teve a finalidade de conscientizar a população da região acerca dos motivos que levaram os profissionais a paralizarem os serviço


Categoria reivindica o pagamento de gratificações para retornar ao regime de 8 horas de trabalho
 De acordo com o presidente do Sindas, José Salustino, os agentes reivindicam o pagamento de uma gratificação de R$ 375 e ainda um vale alimentação de R$ 15 por dia, para retomarem a jornada de oito horas diárias. Há cinco anos eles trabalham em jornada corrida de seis horas por dia.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Supremo libera posse de senador barrado na Ficha Limpa

Politica - Paraiba,PB - Brasil


Antes considerado inelegível, Cássio Cunha Lima vai substituir Wilson Santiago
 O ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu nesta terça-feira (3) que o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB) deve tomar posse como senador em seu Estado. Ele irá assumir no lugar de Wilson Santiago (PMDB).

O senador mais votado do estado da Paraiba

Embora tenha sido o candidato mais votado na disputa pelo Senado na Paraíba, ele não pôde tomar posse porque foi barrado pela Lei da Ficha Limpa.
O tucano teve o registro de candidatura negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que se baseou em igual decisão tomada anteriormente pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) da Paraíba.

No TSE, a maioria dos ministros entendeu que o ex-governador estaria inelegível por ter sido cassado uma vez pelo próprio tribunal e outras duas pelo TRE-PB.
Após ser condenado, em 2009, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2006, ele perdeu o mandato de governador e ficou inelegível.

Cunha Lima foi acusado pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) de ter distribuído R$ 3,5 milhões em cheques de R$ 150 e R$ 200 da FAC (Fundação de Ação Comunitária) em pleno ano eleitoral e de ter usado indevidamente o jornal A União (pertencente ao governo) para promover sua candidatura à reeleição.

Com o revés no TSE, seus advogados levaram um recurso ao STF, que agora autorizou sua posse.
Em um julgamento realizado em março, a Suprema Corte decidiu, por maioria, que a Ficha Limpa não poderia ter sido aplicada nas eleições de 2010.
Foi com base nesse entendimento que o ministro Joaquim Barbosa acatou o recurso da defesa de Cunha Lima.

No Supremo, prevaleceu a tese de que, para que fosse aplicada, a lei precisaria ter sido sancionada um ano antes da votação - ou seja, em outubro de 2009 - porque provocaria mudanças no processo eleitoral. A Ficha Limpa só entrou em vigor, no entanto, em junho do ano passado.


Fonte:R7.com
 

A maioria dos brasileiros em situação de extrema pobreza é jovem, negra e nordestina

Miseria e Pobreza - Brasil


A maioria dos brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza é negra ou parda, jovem e vive na Região Nordeste. É o que mostra um mapa feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em dados preliminares do Censo Demográfico de 2010.



Com base em dados do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi estipulado que famílias com renda igual ou inferior a R$ 70 por pessoa são consideradas extremamente pobres. O parâmetro será usado na elaboração do plano Brasil sem Miséria, a ser lançado em breve pelo governo federal.

Nessa situação de miséria encontram-se16,2 milhões brasileiros, o equivalente a 8,5 % da população do país, conforme o IBGE


Nessa situação de miséria encontram-se16,2 milhões brasileiros, o equivalente a 8,5 % da população do país, conforme o IBGE. Desse total, 70,8% são pardos ou pretos e 50,9% têm, no máximo, 19 anos de idade.


O mapa revela que 46,7% dos extremamente pobres vivem no campo, que responde por apenas 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis.

 
Na Região Nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres (9,61 milhões de pessoas). Em seguida, vem o Sudeste, com 2,7 milhões. O Norte tem 2,65 milhões de miseráveis, enquanto o Sul registra 715 mil. O Centro-Oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.

 
Quanto ao sexo, a miséria atinge mulheres e homens da mesma forma: 50,5% contra 49,5% respectivamente. No entanto, na área urbana, a presença de mulheres que vivem em condições extremas de pobreza é maior, enquanto os homens são maioria no campo.

 
A análise dos dados revela também que, além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso à serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. Estima-se, por exemplo, que mais de 300 mil casas não estão ligadas à rede de energia elétrica.

 
“Quanto menor é a renda das pessoas, maior é a proporção de pessoas que não têm acesso ao abastecimento de água potável. Quanto menor a renda, maior a proporção da população que não tem banheiro exclusivo no domicilio. Na área rural a situação é mais recorrente”, afirmou o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

 
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que o plano Brasil sem Miséria, que visa a acabar com a pobreza extrema no Brasil até 2014, será uma combinação de políticas de transferência de renda e de capacitação profissional com ampliação dos serviços ofertados pelo Estado.

 
“Não se trata de novos programas, mas um olhar para esse público. Não vamos fazer um chamamento, mas garantir que o Estado chegue a essa população”, disse a ministra, acrescentando que vários programas atuais serão mantidos, como o Bolsa Família.

 
O plano deve ser lançado em breve pela presidenta, Dilma Rousseff. Segundo a ministra, é possível erradicar a pobreza extrema nos próximos quatro anos. “É um esforço dos governos federal, estaduais e municipais. É uma força-tarefa”, disse. Tereza Campello explicou ainda que a renda familiar estipulada para definir a faixa de extrema pobreza será ajustada no decorrer dos anos.

 
Hoje, dos 16,2 milhões de extremamente pobres, 70,7% não têm rendimento nenhum (4,8 milhões de brasileiros). O restante (11,4 milhões) tem renda que varia de R$ 1 a R$ 70.

 
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Secretaria não atenderá reivindicações de professores

Educação - RN


A secretária estadual de educação, professora Betânia Ramalho, afirmou na manhã desta segunda-feira, 2, que o Governo do Estado não tem condições financeiras de atender às reivindicações feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN). A professora recebeu em seu gabinete no final da manhã representantes do protesto.
Professores protestam em frente à governadoria

Ela declarou que a “melhor saída é sentar para conversar, de modo que os alunos não saiam prejudicados”. “Fiquei surpresa com a falta de boa vontade dos professores em decidirem pela greve. Enviei nota sexta-feira passada para discutir questões contraditórias e hoje fui informada de tal decisão”, comentou a secretaria.



Na manhã de hoje, os representantes do Sinte protocolaram o ofício em que as reivindicações da greve são esclarecidas e oficializadas. A decisão pela paralisação ocorreu sexta-feira passada em assembleia, mas não recebeu apoio total da classe.


A presidente do Sinte, Fátima Cardoso, esclarece a motivação da greve. “Queremos uma equiparação de salários pagos no âmbito estadual e que não é aplicado para profissionais da educação”. Segundo ela, há uma defasagem em mais de 100% no pagamento de certas categorias e a situação se mostrou insustentável.


A categoria não aceitou o pedido da Secretaria Estadual de Educação em prolongar por mais 120 dias a discussão sobre o aumento reivindicado. “Já aguardamos 120 dias e esse pedido de prolongamento foi incompatível com as nossas necessidades”, encerrou.


Dengue lota Giselda Trigueiro e Centro de Hidratação na Cidade da Esperança

Saúde - Natal,RN


A superlotação no Hospital Giselda Trigueiro, referência em infectologia no Estado - como também no Centro de Hidratação, na Cidade da Esperança - servem como termômetro para medir o aumento nos casos de dengue em Natal. O último boletim epidemiológico, divulgado no dia 25 pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesap RN), aponta para 8.993 casos notificados em todo Estado desde o início do ano até o dia 16 de abril. Deste total, 1.853 estão confirmados até esta segunda-feira (2).

Corredor do Giselda Trigueiro estava lotado durante a segunda-feira
 Na recepção do HGT, filas se formaram no final desta manhã, a maioria com suspeita de dengue. Somente no corredor do pronto-socorro, cerca de 30 pacientes eram acomodados em cadeiras e macas à espera de vagas, além dos que ocupavam os 17 leitos de observação. Os 29 leitos de internação em infectologia geral, além dos oito cedidos (quatro no Hospital Estadual Ruy Pereira e quatro no Hospital de Macaíba) estavam também lotados.



O funcionamento do Centro de Hidratação, embora venha dando resposta a demanda nos casos simples da doença, ainda é insuficiente para desafogar o Giselda Trigueiro. Somente em abril, segundo dados do setor de vigilância do Hospital, foram notificados pelo 736 casos de dengue, dos quais 139 do tipo febre hemorrágica. O número é três vezes maior que os notificados em fevereiro, com 212 casos.


A superlotação predomina ainda, segundo a diretora geral Milena Martins, devido a procura espontânea de pacientes que buscam o centro de referência, mesmo sem se tratar de caso graves. “As pessoas continuam vindo direto para cá, ao invés de procurar a rede básica e o Centro de Hidratação, isso acaba retardando e sufocando o atendimento”, disse.


Somente hoje, o Hospital encaminhou 45 pacientes para o Centro. Até às 15h30, quando a reportagem esteve no Centro de Hidratação, na Cidade da Esperança, outros 68 pacientes deram entrada na unidade médica. A demora pelo atendimento, em alguns casos, chegava a cinco horas.

domingo, 1 de maio de 2011

João Paulo II é beatificado diante de 1 milhão de fiéis

Religião - Católica


O Santo Padre é Santo


Cerimônia destacou dotes intelectuais, morais e espirituais do pontífice.

João Paulo II morreu em 2005, aos 84 anos, após 27 anos de pontificado.
 
 
Em uma cerimônia solene na presença de mais de 1 milhão de pessoas que lotaram a praça de São Pedro, segundo a polícia romana, o Papa Bento XVI proclamou beato o seu antecessor, João Paulo II (1920-2005), neste domingo (1º).


A cerimônia teve início às 10 horas no horário local (5h de Brasília), pelo papa e outros 800 sacerdotes presentes. Com um cálice e mitra que foram usados nos últimos anos de pontificado de João Paulo II e com uma vestimenta que também pertenceu a seu antecessor, Bento XVI abriu a cerimônia com uma saudação em latim, que foi traduzida simultaneamente em espanhol, francês, português, francês, inglês, alemão e polonês pela Rádio Vaticano.
 

Um cardeal leu um texto sobre a vida do pontífice, morto em 2005, após 27 anos de papado.
Foram destacadas virtudes de João Paulo II, como seus dotes intelectuais, morais e espirituais.
Após a leitura, ocorreu o principal momento da cerimônia, em que foi descerrado um retrato de João Paulo II, a partir de então denominado beato. "Concedemos que o venerado servo de Deus João Paulo II, Papa, seja de agora em diante chamado beato", proclamou Bento XVI.
A data escolhida para a veneração do papa foi 22 de outubro, dia da primeira missa do seu pontificado.
Muitos aplausos e gritos de "Santo subito" (Santo já), como no dia do funeral de João Paulo II, foram ouvidos na praça, repleta de pessoas que exibiam bandeiras de muitos países, entre elas a polonesa e a brasileira.

A freira francesa irmã Marie Simon-Pierre Normand - cuja a cura do mal de Parkinson, a mesma doença degenerativa do papa, em junho de 2005, é tida como a primeira graça de João Paulo II- levou ao altar uma ampola contendo sangue do Papa, enquanto outra religiosa que o acompanhou durante o papado, levou algumas de suas relíquias.
O Papa polonês, nomeado Sumo Pontífice em 1978, faleceu em 2 de abril de 2005 aos 84 anos.
A beatificação é a etapa anterior à canonização e aconteceu em tempo recorde.
Desde as primeiras horas da madrugada milhares de fiéis, entre eles poloneses, espanhóis, italianos, franceses e latino-americanos, fizeram fila para entrar no local.


Fieis se aglomeram na Via da Conciliação, em Roma, à espera da cerimônia de beatificação de João Paulo II na praça de São Pedro

Os primeiros que entraram fizeram-no na adjacente Via da Conciliação e durante a madrugada se abriram as entradas à Praça de São Pedro.
O idioma que mais se escutava era o polonês, já que milhares deles assistem à beatificação do primeiro papa polonês da história.

A beatificação de João Paulo II é uma das maiores da história da Igreja, já que, segundo o governador regional de Roma, Giuseppe Pecoraro, assistem mais de um milhão de pessoas.

 
Também é um evento histórico sem precedentes, já que nos últimos mil anos da Igreja Católica nenhum papa proclamou seu antecessor como beato, como ocorrerá neste domingo.

 
Vigília


Em uma noite que lembrava as grandes vigílias presididas por João Paulo II, cerca de 200 mil pessoas se reuniram neste sábado no Circo Máximo de Roma para homenagear o papa Karol Wojtyla, que neste domingo será proclamado beato.

 
"Ele já era santo em vida", afirmou emocionado Joaquín Navarro Valls, o espanhol que durante 22 anos foi seu porta-voz e que neste sábado, ao lado do antigo secretário particular Stanislaw Dziwisz, homenageou Wojtyla junto a dezenas de milhares de fiéis de vários países.
 
vigília começou com um vídeo do ano 2000 de João Paulo II durante a Jornada Mundial da Juventude de Roma e prosseguiu com o canto de "Jesus Christ you are my life", interpretado pelo Coro de da Diocese de Roma e da Orquestra do Conservatório de Santa Cecilia

Em seguida, foi feita uma conexão com cinco santuários aos quais o papa era muito ligado: o de Nossa Senhora de Guadalupe, no México; Fátima em Portugal; Lagniewniki na Polônia, Kawekamo-Bugando na Tanzânia e Notre Dame do Líbano.



"Se vê, se sente, o papa está presente", cantaram os milhares de fiéis reunidos no santuário mexicano.


A vigília foi dividida em duas partes. A primeira, a "Celebração da Memória", começou com uma procissão de 30 jovens romanos com tochas que homenagearam a imagem de Maria Salus Populi Romani, a patrona de Roma, presente no ato, seguida pelos discursos de Navarro Valls, Marie Simon Pierre e Dziwisz.

 
A segunda parte foi a "Celebração dos Mistérios Luminosos do Santo Rosário", que foram introduzidos por João Paulo II durante seu Pontificado. O rosário foi recitado em conexão direta com os santuários aos quais Wojtyla era relacionado.

 
Em Guadalupe as orações foram pela esperança e a paz dos povos, em Fátima, pela Igreja; em Lagniewniki, pelos jovens; em Kawekamo-Bugando, pela família; e em Notre Dame do Líbano, pela evangelização.


Nos pênaltis, de novo, Fla vence a Taça Rio e conquista o Carioca

Futebol - RJ


Flamengo Campeão Carioca Invicto

Rubro-Negro leva, de forma invicta, o seu 32º Campeonato Carioca e aumenta hegemonia no estado. Vascaínos desperdiçam três cobranças


Nos pênaltis e invicto. Assim o Flamengo confirmou a sua hegemonia no Rio de Janeiro e conquistou, neste domingo, o título do Campeonato Carioca ao derrotar o Vasco na decisão da Taça Rio, nos pênaltis, por 3 a 1, após empate por 0 a 0 no tempo normal. O Bonde sem Freio - que já ganhara a Taça Guanabara - parou o Trem-Bala da Colina no Engenhão e, sem necessidade de uma final de campeonato, aumentou a vantagem rubro-negra no estado, com seu 32º título. O Tricolor, que foi o vice-campeão na soma dos pontos dos dois turnos, tem 30 conquistas.


Esta foi a sétima vitória consecutiva do Flamengo em decisões por pênaltis: o último fracasso foi diante do Santos, na Copa Sul-Americana de 2004. A superioridade nas cobranças foi determinante para que o time da Gávea conquistasse o Carioca de forma invicta (com 11 vitórias e sete empates). Foi assim que ele eliminou Botafogo, Fluminense e Vasco nas semifinais e finais da Taça Guanabara e da Taça Rio. A final do primeiro turno foi exceção, com triunfo por 1 a 0 diante do Boavista. Neste domingo, Renato, Fernando e Thiago Neves converteram seus pênaltis, com Fierro desperdiçando.


O goleiro Felipe, decisivo em outras ocasiões, nem precisou praticar uma defesa. As três cobranças erradas - de Bernardo, Fellipe Bastos e Elton - foram em chutes para fora. Alecsandro, que abriu a disputa, marcou.


O Vasco amarga mais um vice-campeonato para o adversário e vê o fim da esperança, por ora, de acabar com o jejum de oito anos sem títulos de Primeira Divisão - o último foi o Carioca de 2003. A tentativa agora é a Copa do Brasil, competição pela qual o time entra em campo na quarta-feira. Enfrenta o Atlético-PR às 21h50m, na Arena da Baixada, pelo jogo de ida das quartas de final.

Pela mesma competição, a torcida do Flamengo encontrará o time campeão carioca na quinta-feira, de novo no Engenhão. O adversário será o Ceará, às 21h50m.
 
Jogo morno e destaque para os goleiros

Sob os olhares do técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, que mais uma vez esteve no Engenhão, os times fizeram uma partida truncada e com algumas jogadas violentas nos primeiros minutos. O árbitro marcava poucas faltas e deixava o jogo correr. Mesmo com Allan improvisado na lateral direita, o Vasco começou assustando justamente pelo setor. Com menos de dez minutos, foram pelo menos três chances por ali, com o próprio Allan, Fellipe Bastos e Eder Luis. Em duas delas, a defesa do Flamengo afastou mal a bola. Apesar de as duas torcidas terem comparecido em bom número (33.946 pagantes e 39.029 presentes), era a vascaína que cantava mais alto e empurrava o Trem-Bala.

Contando com o retorno de Ronaldinho Gaúcho, recuperado de dores no joelho esquerdo que o tiraram das últimas duas partidas, o Rubro-Negro tinha mais posse de bola, mas errava muitos passes. Ainda assim, as duas primeiras grandes chances do jogo foram suas. Aos 22 minutos, Ronaldinho Gaúcho cobrou falta, e Thiago Neves, livre, cabeceou pra fora. Quatro minutos depois, foi a vez de Bottinelli receber de Deivid e, na cara do gol, chutar para grande defesa de Fernando Prass.

Aos poucos, o Bonde começava a acelerar. Contestado por suas atuações na temporada, Deivid se movimentava muito no ataque e dava trabalho aos zagueiros vascaínos. Já o argentino Bottinelli destoava no meio-campo e não conseguia dar sequência às jogadas. Depois do bom início, o Vasco tentava se reorganizar em campo. Em chute de longe, o meia Felipe assustou o xará camisa 1 do Flamengo e quase abriu o placar.

O goleiro rubro-negro teve outro momento de tensão aos 34 minutos. Ao cortar um cruzamento da direita, Felipe levou uma cabeçada involuntária de Alecsandro em seu cotovelo direito. O jogador foi atendido pelos médicos do clube e causou apreensão na torcida com suas expressões de dor no ombro, mas foi para o sacrifício a tempo de salvar uma cabeçada de Diego Souza, na última chance clara da primeira etapa.
 
Mesmo ainda sentindo dores, Felipe voltou para o segundo tempo. E viu Ronaldinho Gaúcho quase colocar o Flamengo em vantagem. Bottinelli sofreu falta na entrada da área, e o camisa 10 da Gávea cobrou para mais uma boa defesa de Prass. Tranquilo e precisando apenas de uma vitória para conquistar o título carioca, Luxemburgo observava tudo sentado no banco de reservas. Já Ricardo Gomes orientava efusivamente sua equipe à beira do campo. Um retrato da situação diferente dos dois times na competição.


O impeto inicial das equipes, no entanto, não foi o mesmo da primeira etapa, e o jogo caiu muito de produção. Gomes havia acabado de orientar Ramon a explorar mais o lado direito do Flamengo em cima de Galhardo, quando Luxemburgo tirou Bottinelli, que não gostou nada da substituição, e pôs Fierro em campo justamente para reforçar o setor. O técnico vascaíno respondeu com a entrada de Bernardo na vaga do apagado Diego Souza.

E foi o próprio Bernardo que tentou reanimar a partida. Em seu primeiro lance, chutou de fora da área e obrigou Felipe a se esticar todo para espalmar a bola para escanteio. Com o fim do jogo se aproximando, as duas equipes se esqueceram da parte tática e se lançaram ao ataque em busca de um gol salvador na base da raça. Aos 45 minutos, o grito quase explodiu na garganta dos rubro-negros. Após escanteio, a bola sobrou para Thiago Neves, que emendou de primeira de fora da área. A bola saiu raspando a trave direita de Fernando Prass.

Antes de encerrar a partida, o árbitro Luiz Antônio Silva dos Santos ainda teve tempo de expulsar Allan e Willians, que se desentenderam após uma falta. A decisão, mais uma vez, seria nos pênaltis. E, mais uma vez, o Flamengo levou a melhor. Coube a Thiago Neves, que havia desperdiçado uma cobrança na semifinal, garantir a taça, deslocando o goleiro Fernando Prass.

 

Aluízio Alves em revista

Politica - RN

Homenagem merecida


A trajetória do jornalista Aluízio Alves (1921-2006) se confunde com a recente história do Rio Grande do Norte. A afirmativa pode até soar exagerada para alguns, mas, como diz o velho ditado, “a César o que é de César”. Advogado e político atuante, foi Aluízio Alves quem ressaltou a presença do até então inexpressivo RN no mapa do Brasil. Responsável pelo desenvolvimento de diversos setores que impulsionaram, e impulsionam até hoje, a economia potiguar, colecionou série de cargos nos poderes legislativo e executivo: foi deputado federal, governador, ministro de Estado e teve seus direitos políticos suspensos pelo famigerado Ato Institucional nº 5 (AI-5), durante a ditadura militar. Visionário, fundou esta TRIBUNA DO NORTE há exatos 61 anos, e ajudou a construir o grupo Cabugi de Comunicação.

Aluízio Alves Filho homenageará o pai com edição sobre sua sua história
 
Mas, por trás da figura pública e da face empreendedora, um homem simples ligado à família. Amigo e conselheiro. “A família sempre foi sua prioridade, e ele transmitiu isso para todos os filhos e amigos à sua volta”, lembra o amigo Luiz Antônio Porpino, 69.



Natural de Angicos, município da região central do Estado, distante 170km da capital, Aluízio Alves ganha merecida homenagem – por sua dedicação e compromisso com o Estado – no próximo dia 11 de agosto, quando será lançada a revista “Revivendo Aluízio Alves, a luta da esperança”, a ser encartada nos principais jornais de Natal. A data escolhida marca o dia de seu nascimento. “Há pelo menos seis meses venho trabalhando nessa ideia, colecionando depoimentos, juntando informações, reportagens e fotografias”, disse Aluízio Alves Filho, empresário e coordenador do projeto. “A intenção é produzir recorte fiel de uma época, norteada pelos fatos políticos que marcaram a vida de papai”, adiantou.


‘Aluizinho’, como é mais conhecido entre os amigos, quer editar um documento definitivo sobre a vida política do pai. “São fatos isolados que vamos costurar com textos e fotos. Escolhemos um formato grande para evidenciarmos o conteúdo da revista”, adianta.


Testemunha ocular de boa parte dos acontecimentos políticos que figurarão na revista, Aluízio Filho já lançou outros dois livros em homenagem ao pai: “Lições que aprendi com ele”, de janeiro de 2009; e “Repensando o tempo, enfrentando a saudade e a vida”, de agosto do ano passado. “Depois da perda, vivo de saudade e sempre em busca de força e motivação para enfrentar a vida”, diz emocionado.


A revista está sendo editada por Márcio Xavier, pelo jornalista Sílvio Santiago e pelo designer Jimmy Free. “Revivendo Aluízio Alves, a luta da esperança” também conta com colabores de peso como o jornalista Vicente Serejo, que assinará um dos artigos, mais trechos de discursos, detalhes de campanhas e depoimentos dos amigos e ex-assessores Ivanaldo Bezerra, Cláudio Emerenciano e Luiz Antônio Porpino, o ‘Marechal Porpa’. Grande parte do conteúdo histórico faz parte do Memorial Aluízio Alves, em funcionamento na rua Raimundo Chaves, 2200, Candelária (em frente a Inter TV Cabugi) – aberto ao público de terça à quinta-feira, das 9h às 12h e das 15h às 18h. Informações pelo telefone 3234-3422.


Entre as passagens citadas por Aluízio Filho que estarão na revista, destaque para a inauguração do hotel Reis Magos, em 1965; a iluminação da avenida Mário Negócio e o início da construção da Cidade da Esperança. “O que era para ser uma simples inauguração, se transformou em um grande acontecimento”, contou Aluizinho sobre a iluminação da Mário Negócio. “Lembro bem: quando chegamos lá tinha um mar de gente nos esperando”, orgulha-se. Ainda sobre a revista, o primogênito de quatro filhos também considera a possibilidade de ser encartado material multimídia. “Esse material multimídia também pode ser organizado em uma próxima oportunidade. Vou estudar isso, pois conteúdo não falta”, garante.


Outra passagem marcante, segundo Aluízio Filho, foi “a reconciliação de papai com (o ex-Governador) Dinarte Mariz (1903-1984), quando este estava no hospital”.


Sobre esse episódio, Porpino traz alguns detalhes: “Aluízio e Dinarte eram parceiros políticos até 1959, quando Mariz decidiu apoiar Djalma Marinho para o governo estadual. Foi um rompimento traumático, pois a carreira política de Aluízio iniciou-se, inclusive, com apoio de Dinarte, então líder da UDN (União Democrática Nacional)”, contou. Aluízio ganhou as eleições para Governador do RN em 1960, e os ânimos esquentaram de vez quando a ditadura militar entrou em cena: Dinarte Mariz voltaria ao comando da política papa-jerimum, fato que culminaria com a cassação de Alves.


“Aluízio Alves contrariou a tendência natural das coisas e derrotou o candidato (Marinho) que tinha a máquina pública a seu favor. Também foi pioneiro na utilização do marketing eleitoral e de pesquisas de opinião pública para nortear campanha eleitoral. Nunca foi apegado a nenhuma ideologia, tanto que aglutinava políticos e simpatizantes de várias tendências”, completa. Administrador, articulista, pesquisador e graduando em História pela UFRN, ‘Marechal Porpa’ cultivou mais de meio século de amizade com Aluízio.


Vale ressaltar que Aluízio Alves participou ativamente do circuito nacional político e jornalístico, fundou a Tribuna da Imprensa com Carlos Lacerda, no Rio de Janeiro, e foi responsável por significativas melhorias nos setores de Turismo (interiorizou a rede de hotéis e inaugurou o Reis Magos), educação (chegou a construir 1,3 mil salas de aula em um mandato), transporte (ampliou a malha viária) e incrementou os recursos energéticos (criou a Cosern e construiu açudes). “Foi, sem dúvida, a maior figura política do século 20 no RN”, finaliza Porpino.


Tribuna Potiguar
Homenagem merecida ao maior politico que o Rio Grande do Norte ja viu
Parabêns ao seu filho pela bela iniciativa.

Governadora reconhece estado de emergência no Vale do Açu

Chuvas no RN


Estado de emergência no vale do Açu


Em visita às áreas atingidas pelas cheias dos rios Piranhas/Açu e Pataxó, a governadora Rosalba Ciarlini anunciou que o governo reconhecerá o estado de emergência do Vale do Açu. “Já estava acompanhando a situação, mas preferi ver in loco para autorizar a continuidade das ações e adotar novas medidas de apoio às famílias”, afirmou a governadora.

Decretado o estado de emergência, fica mais fácil adotar as providências emergenciais, sem a burocracia que o serviço público exige.
A governadora visitou o bairro Maria Romana, em Ipanguaçu, uma das áreas atingidas pelas inundações e conversou com moradores como José Alexandre, 70. “Estou aqui há 22 anos e nunca tinha visto um governante chegar logo no começo das nossas angústias de inverno, como doutora Rosalba está fazendo”, disse o aposentado. Outro que disse ter ficado surpreso com a visita da governadora aos bairros alagados, foi o mecânico Francisco Edvan Silva. “Conheço o trabalho dela desde o tempo de Mossoró, mas nunca esperei que ela viesse até aqui num domingo para ajudar a nós”, ressaltou.


Governadora decreta estado de emergência no Vale do Açu

“Este momento é de solidariedade e de ação emergencial, mas vamos trabalhar para resolver o problema que aflige as famílias há 20 anos”, destacou Rosalba, anunciando que vai mobilizar a bancada federal para uma audiência nesta semana, em Brasília, com o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, a quem pedirá apoio para o projeto de desmatamento das margens e desassoreamento do Rio Piranhas e do afluente Pataxó. A governadora pediu aos prefeitos do Vale que façam fotos e relatórios da situação para serem entregues ao ministro.


“O governo federal vai ajudar atendendo a este pleito de Rosalba”, disse confiante o ministro da Previdência, Garibaldi Filho, que fez parte da comitiva da governadora. Para ele, a situação do Vale do Açu exige resposta imediata e isso o Estado dirá ao ministro da Integração e se for preciso, à presidenta Dilma Roussef.


Além de Ipanguaçu, a governadora esteve em Pendências, no dique de contenção do Rio Piranhas Açu. Rosalba levou os secretários Kátia Pinto(Infraestrutura), Betinho Rosado (Agricultura), Thiago Cortez (Justiça e Cidadania) e Luis Eduardo Carneiro (Ação Social). Os prefeitos Leonardo Oliveira (Ipaanguaçu), Ivan Júnior (Assu) e Ivan Padrilha (Pendências), ex-prefeitos, coordenador estadual da Defesa Civil, tenente coronel Josenildo Acioli, a subsecretaria de Saúde, Dorinha Burlamaqui e a diretora da II Usarp, Iranilde Oliveira, também acompanharam Rosalba.


A governadora que já havia determinado a contratação de duas máquinas para a limpeza do Rio Piranhas e das áreas alagada e a permanência da Defesa Civil no Vale, autorizou que fossem feitos levantamentos para cestas básicas e outros atendimentos sociais e na área de saúde, como combate à dengue e vacina. “O governo dará toda assistência necessária à essas famílias”, reforçou.